Em meio aos novos alagamentos registrados em diversos bairros de Belém nos últimos dias, a vereadora Marinor Brito denunciou, durante pronunciamento na tribuna da Câmara Municipal, nesta quarta-feira, 22, a paralisação de projetos legislativos voltados ao enfrentamento das mudanças climáticas e ao combate ao racismo ambiental na capital paraense.
Segundo a parlamentar, propostas que poderiam contribuir para a redução dos impactos das chuvas sobre as áreas mais vulneráveis da cidade permanecem sem avanço na Casa Legislativa, mesmo diante da situação de emergência enfrentada por centenas de famílias atingidas pelos temporais.
Durante o discurso, Marinor informou ter apresentado um projeto de lei destinado a estabelecer as bases de uma política municipal de atenção às emergências climáticas, além de outra proposta voltada à criação de um programa de justiça climática com foco nas periferias e favelas de Belém.
De acordo com a vereadora, as iniciativas não avançaram na tramitação legislativa. Parte delas, segundo relatou, teria sido barrada na Comissão de Constituição e Justiça, enquanto outras sequer foram encaminhadas ao plenário para debate e deliberação.
“Esses dois projetos estão aí nas gavetas”, afirmou a parlamentar ao criticar a falta de prioridade na análise de medidas preventivas voltadas ao enfrentamento de eventos climáticos extremos, que, segundo ela, têm se tornado cada vez mais frequentes na cidade.
Na avaliação de Marinor, a implementação prévia de políticas públicas de prevenção e adaptação climática poderia ter reduzido significativamente os prejuízos causados pelas chuvas recentes, especialmente entre os moradores das áreas periféricas e de maior vulnerabilidade social.
As fortes precipitações dos últimos dias provocaram alagamentos em diversos pontos da capital, transformando ruas em áreas inundadas, invadindo residências e deixando famílias isoladas. Para a vereadora, o cenário evidencia não apenas os efeitos das chuvas, mas também falhas estruturais na gestão urbana e na execução de políticas preventivas.
“Não adianta, num momento como esse de chuva, de crise, de alagamentos, que destrói os sonhos de famílias e coloca em risco as famílias da periferia, fazer apenas proselitismo político”, declarou.
A parlamentar também voltou a cobrar esclarecimentos sobre a paralisação das obras de macrodrenagem da Bacia do Mata-Fome, além de questionar a destinação e a aplicação dos recursos públicos anunciados nos últimos anos para intervenções de micro e macrodrenagem em Belém.
Segundo ela, enquanto bairros inteiros acumulam prejuízos a cada novo temporal, a população segue sem respostas concretas sobre investimentos que, na prática, não chegaram às áreas mais afetadas pelos alagamentos.
Marinor destacou ainda que as ocorrências recorrentes não devem mais ser tratadas como episódios isolados, mas como reflexo de um problema estrutural, agravado pela ausência de políticas públicas voltadas às comunidades historicamente mais expostas aos efeitos da crise climática.
“Quem foi eleito para fazer a gestão da cidade tem que responder pelos problemas da cidade”, afirmou.
Ao encerrar o pronunciamento, a vereadora reforçou que continuará cobrando providências do Executivo municipal e das secretarias responsáveis, defendendo a adoção de medidas efetivas de adaptação climática, infraestrutura urbana e proteção social.
“Eu vou seguir cobrando responsabilidades das secretarias municipais e do gestor municipal”, concluiu.


