Quatro meses após ser expulso do União Brasil, o deputado federal Celso Sabino definiu novo destino partidário e oficializou a pré-candidatura ao Senado. A filiação ao PDT ocorreu neste sábado (4), em Belém, durante evento político que reuniu lideranças locais e nacionais e marcou a entrada do parlamentar na disputa de 2026.
Em seu discurso, Sabino associou a mudança de legenda a uma nova fase na trajetória política e ao alinhamento com a agenda do partido.
“Hoje inicio um novo ciclo, ao lado de um partido que tem história, que tem compromisso social e que dialoga com o futuro do Pará. Chego ao PDT com a missão de construir um projeto coletivo e de defender os interesses do nosso Estado no Senado”, afirmou.
Com a filiação, se encerra um período de indefinição iniciado após a saída do partido anterior, motivada por divergências sobre a permanência no governo federal. À época, Sabino decidiu continuar no Ministério do Turismo, contrariando orientação da sigla, em meio à preparação de projetos estratégicos no estado, como a COP30.
O ato de filiação reuniu lideranças políticas de diferentes níveis. No plano estadual, participaram o presidente do PDT no Pará, Giovanni Queiroz, e a ex-governadora Ana Júlia Carepa. No cenário nacional, o presidente do partido, Carlos Lupi, enviou mensagem em vídeo manifestando apoio. Também estiveram presentes nomes da área acadêmica, como o ex-reitor da UFPA Carlos Maneschy, além de apoiadores e lideranças políticas locais.
Ruptura com União Brasil
A saída de Sabino do União Brasil ocorreu em dezembro de 2025, após o parlamentar se recusar a deixar o Ministério do Turismo. A direção da sigla havia determinado o desembarque do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que levou à abertura de processo por infidelidade partidária.
A decisão abriu margens para o rompimento e levou à expulsão do deputado, que deixou o cargo dias depois. Desde então, Sabino manteve articulações políticas até definir o PDT como nova base para disputar uma vaga no Senado em 2026.

Filiação estratégica
A ida de Celso Sabino para o PDT indica uma tentativa de reorganizar o próprio espaço político após a saída do União Brasil. Sem partido desde dezembro, o deputado precisava de uma sigla que garantisse candidatura majoritária sem disputa interna direta, cenário que encontra no novo abrigo.
O movimento também reposiciona Sabino dentro do campo político ligado ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o que pode ampliar tempo de TV, alianças e capilaridade eleitoral. Ao mesmo tempo, esse alinhamento tende a cobrar coerência de discurso durante a campanha, principalmente, diante da situação que levou à ruptura com a antiga legenda.
Na prática, a estratégia aposta em transformar um desgaste em narrativa política. Resta saber se o eleitorado vai enxergar o movimento como independência e articulação ou apenas como troca de sigla para viabilizar candidatura, fator que costuma pesar em disputas ao Senado.


