O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta sexta-feira (29) a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos e defendeu o respeito à soberania nacional. As declarações foram feitas durante visita à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), no município de Laranjeiras.
Ao comentar a decisão anunciada por autoridades norte-americanas, Lula afirmou que grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) representam uma ameaça à população brasileira, mas rejeitou qualquer justificativa para eventual interferência estrangeira no país.
Segundo o presidente, as facções criminosas atuam diretamente contra comunidades, famílias e moradores de periferias, e devem ser combatidas pelas instituições brasileiras. Lula destacou que o país já adotou medidas legislativas voltadas ao enfrentamento do crime organizado e ao combate às organizações criminosas.
Durante o discurso, o presidente também contestou a comparação entre facções brasileiras e grupos terroristas internacionais. Ele argumentou que essas organizações possuem características distintas das ameaças normalmente classificadas como terrorismo pelos Estados Unidos e ressaltou que parte das armas utilizadas pelo crime organizado no Brasil tem origem em território norte-americano.
Lula cobrou respeito das autoridades dos Estados Unidos ao tratar de temas relacionados ao Brasil e afirmou que o país não aceitará interferências externas em assuntos internos. O presidente destacou a importância da soberania nacional, da democracia e da integridade territorial brasileira.
Ao abordar recursos naturais estratégicos do país, Lula afirmou ter preocupação com possíveis interesses internacionais sobre riquezas minerais brasileiras, incluindo terras raras, ouro, diamantes, recursos hídricos e a Floresta Amazônica. Segundo ele, esses ativos pertencem ao Brasil e devem permanecer sob controle nacional.
O presidente também mencionou conversas mantidas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas quais defendeu o fortalecimento do diálogo internacional baseado no respeito mútuo, na democracia e no multilateralismo.
Em outro momento, Lula afirmou que o Brasil tem intensificado o combate ao crime organizado e avaliou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública poderá reforçar as ações de enfrentamento às facções criminosas.
Ao tratar da cooperação internacional, o presidente disse que o Brasil está disposto a trabalhar em conjunto com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. No entanto, ressaltou que a colaboração deve incluir ações em território norte-americano, especialmente em casos relacionados à lavagem de dinheiro e à presença de brasileiros procurados pela Justiça.
Lula citou nominalmente investigados e condenados que, segundo ele, estariam nos Estados Unidos, defendendo que eventuais esforços conjuntos contra o crime organizado passem também pela cooperação entre os dois países na localização e entrega de foragidos.

