O presidente da Câmara Municipal de Boa Vista (CMBV), Genilson Costa (Republicanos), segue “intacto” no comando da Casa Legislativa, mesmo sendo alvo de investigações polêmicas, graves e até de condenação por crimes eleitorais nos últimos anos. O parlamentar permanece no cargo sob o apoio e a reverência dos demais pares na Casa de Leis.
Em novembro de 2025, Genilson Costa teve o mandato cassado por compra massiva de votos, abuso de poder econômico e gastos ilícitos de campanha. Além disso, Costa foi declarado inelegível por oito anos e condenado ao pagamento de multa de 50 mil UFIR por compra de votos.
A condenação ocorreu após uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) movida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). O órgão apontou que a reeleição de Genilson foi viabilizada por um esquema que teria movimentado mais de R$ 4 milhões em recursos não declarados, utilizados principalmente para pagar entre R$ 100 e R$ 150 por voto.
Prisão
O caso teve origem em 5 de outubro de 2024, véspera da eleição. Na ocasião, a Polícia Federal prendeu em flagrante Saulo Emanuel Pires da Costa, em uma casa no bairro Santa Tereza, onde eleitores foram encontrados com dinheiro em espécie e material de campanha de Genilson. Segundo a sentença, Saulo confessou que realizava pagamentos a mando de Jhonas Vieira Veloso, um dos coordenadores da estrutura.
No dia seguinte, 6 de outubro, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca na residência do vereador. Foram apreendidos dinheiro em espécie, ouro em estado bruto, armas de fogo, celulares e diversas anotações, incluindo listas detalhadas de eleitores e líderes políticos envolvidos na distribuição de valores.
Tráfico de drogas
No dia 15 de 2023, Genilson Costa foi denunciado à Justiça de Roraima pelo Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Costa foi um dos alvos da Operação Tânatos, deflagrada pela Polícia Federal em abril de 2022, para desarticular uma organização criminosa que atuava no tráfico de entorpecentes em Roraima.
As investigações da Operação Tânatos tiveram início em dezembro de 2020, quando um dos denunciados foi preso com mais de 50 kg de skunk na entrada de Boa Vista.
Em uma das conversas verificadas no celular de um dos alvos da operação, um dos denunciados afirmou que R$ 1,5 milhão do montante proveniente do carregamento de droga seria destinado ao vereador “para ajudar na briga pela mesa”, em referência à disputa pela mesa diretora da Câmara Municipal à época.
Eleições consecutivas
Mesmo em meio a escândalos, Genilson Costa foi eleito para o terceiro mandato consecutivo no comando da Câmara Municipal de Boa Vista.


