Pacientes em áreas improvisadas, dificuldade para acesso a UTI e ausência de neurocirurgião para casos graves compõem o cenário identificado em fiscalização que expôs um quadro de colapso no Pronto-Socorro (PSM) Mário Pinotti, em Belém. A vistoria feita pelo Conselho Regional de Medicina do Pará e pela Defensoria Pública apontou falhas na assistência e problemas estruturais no maior hospital de urgência da capital.
Conforme o relatório, a falta de neurocirurgião de plantão desde março aparece entre os pontos mais críticos, sobretudo para vítimas de traumatismo craniano e pacientes com ocorrências neurológicas complexas. Segundo a inspeção, casos que dependem de avaliação especializada passaram a depender de regulação para outras unidades, em um fluxo que nem sempre ocorre em tempo hábil.
Diante da sobrecarga, o documento descreve permanência prolongada de pacientes em setores do PSM Mário Pinotti destinados a atendimento emergencial, uso de espaços inadequados para internação e dificuldades que atingem também a pediatria. O cenário levou a fiscalização a apontar riscos assistenciais e a cobrar respostas imediatas para a unidade.
Estrutura
Entre os problemas relatados estão equipamentos deteriorados, falta de materiais básicos, infiltrações e limitações em setores estratégicos como ortopedia e diagnóstico por imagem. A inspeção também identificou falhas que, segundo o relatório, comprometem rotinas de atendimento e suporte hospitalar.
No campo administrativo, a vistoria no PSM Mário Pinotti apontou ausência de exigências previstas em normas do sistema médico, como comissões obrigatórias e regularização de responsabilidade técnica. Segundo o documento, parte dessas falhas já havia sido observada em fiscalizações anteriores.
Demanda reprimida
Para os órgãos envolvidos na inspeção, a situação se agrava diante da demanda elevada por neurocirurgia na unidade, que registra diariamente dezenas de solicitações para avaliação especializada. O relatório recomenda contratação imediata de profissionais, reforço de estrutura e regularização dos serviços.
Sem registrar melhora em relação a problemas já apontados em anos anteriores, a fiscalização conclui que a unidade segue operando sob pressão. Imagens anexadas ao documento mostram corredores ocupados por pacientes, macas improvisadas e equipamentos em condições precárias.


