O governador Antonio Denarium (PP) defendeu a adoção de regras mais rígidas para a entrada de estrangeiros no Brasil, o reforço da segurança na fronteira com a Venezuela e a criação de um pavilhão específico para presos estrangeiros no sistema penitenciário de Roraima, em entrevista à BBC News Brasil.
Segundo Denarium, o Estado concentra hoje custos elevados relacionados à crise migratória, especialmente nas áreas de segurança pública e sistema prisional. Ele afirmou que cerca de 500 estrangeiros cumprem pena atualmente em presídios estaduais, o que gera impacto direto nas contas do governo local.
“Temos em torno de 500 estrangeiros já cumprindo pena em presídio estadual. E esse custo fica todo para quem? Para o governo de Roraima”, disse.
O governador afirmou que o gasto anual do Estado com o sistema prisional varia entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões e defendeu maior participação financeira da União.
“O governo do Estado precisa, lógico, de apoio do governo federal para bancar essa despesa que hoje é toda do governo estadual”, declarou.
Denarium disse ter solicitado ao governo federal a construção de uma unidade ou ala específica para presos estrangeiros, independentemente da nacionalidade. Segundo ele, a proposta chegou a ser discutida, mas a União descartou a construção de um presídio federal em Roraima.
“O governo federal falou que não é possível construir um presídio federal aqui, mas ficou de enviar recursos para a construção de mais um pavilhão dentro do sistema prisional”, afirmou.
Na avaliação do governador, a ausência de uma legislação migratória mais rigorosa dificulta o controle de entrada de estrangeiros no país. Ele defendeu a exigência de antecedentes criminais como medida básica de segurança
“Hoje, eles entram no Brasil sem apresentar antecedente criminal, sem nenhum tipo de documento. As fronteiras estão abertas”, disse.
Ao tratar da segurança pública, Denarium afirmou que Roraima se tornou rota para o tráfico de drogas e armas vindas de países vizinhos.
“Roraima acaba sendo um corredor para entrada de drogas e armas. Temos mais de 2 mil quilômetros de fronteira, a maioria seca, o que dificulta uma vigilância ostensiva”, declarou.
Questionado sobre a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos em território brasileiro para combater o tráfico, o governador disse não ver essa hipótese e ressaltou que qualquer diálogo internacional é competência do governo federal. “Não vemos essa possibilidade. É competência do governo federal e do Ministério das Relações Exteriores tratar qualquer tipo de diálogo com outros países”, afirmou.
Denarium também comentou o cenário político e confirmou que deixará o cargo no início de abril para disputar uma vaga no Senado. Sobre o processo que tramita no Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, ele declarou confiança no Judiciário. “Acreditamos na Justiça brasileira e esperamos ser inocentados das acusações”, disse.
Ao avaliar a crise na Venezuela, o governador afirmou ser contrário a conflitos armados e defendeu a diplomacia como caminho para solução. “O Brasil tem que viver na diplomacia. Sou contra qualquer tipo de conflito armado. Em uma guerra, nunca há vencedores”, declarou.
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