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Famílias ribeirinhas bloqueiam construção da Avenida Liberdade e alertam: “Querem tirar a gente daqui”

Moradores cobram canalização de igarapé, eletrificação e acesso a direitos básicos antes da inauguração da via prevista para a COP 30. Comunidades tradicionais temem perder suas casas com a abertura da estrada.

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Moradores de três comunidades tradicionais ribeirinhas interditam desde a última quarta-feira (9) o trecho da construção da Avenida Liberdade, uma nova via expressa que passa pela Área de Proteção Ambiental (APA) Metropolitana de Belém. As famílias denunciam o risco de remoção e cobram do governo do Estado a garantia de direitos básicos, como canalização do igarapé da região, eletrificação e acesso à saúde, educação e saneamento.

Segundo Danielson Costa, presidente da Associação de Moradores da Comunidade Nossa Senhora dos Navegantes, a prioridade da mobilização é garantir o acesso ao igarapé, fonte essencial para o abastecimento da população. “Nossa reivindicação é que seja feita a canalização do igarapé, a construção de uma estrada aterrada ligando o ramal da Cosanpa ao ramal de Nossa Senhora dos Navegantes, além da eletrificação e o acesso pleno às políticas públicas”, afirmou.

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Participam do protesto moradores das comunidades Nossa Senhora dos Navegantes, Beira Rio e Uriboquinha, que juntas somam cerca de 300 famílias. Eles temem que com a conclusão da avenida, prevista para outubro – pouco antes da COP 30 – muitas de suas casas sejam removidas.

O sociólogo e liderança local Ângelo Madson, também morador da região, explica que essas comunidades ocupam a área há décadas. “Esse povo está aqui desde a época em que o que hoje chamam de Mucatu era só tábua sobre o rio. Depois que veio o poder público, sequer colocaram um posto de saúde. Agora, com essa obra, querem apagar a história e empurrar as famílias para fora”, criticou.

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A Avenida Liberdade é uma via expressa de 13,3 km de extensão, projetada para ligar a Alça Viária (PA-483), em Belém, à Avenida Perimetral, em Marituba. O estudo ambiental aponta que a obra atravessa os rios Murutucu, Aurá e o igarapé Pau Grande, todos afluentes do rio Guamá, e passa próximo ao sítio arqueológico do Engenho do Murutucu.

Uma reunião entre os moradores e representantes do governo do Estado está prevista para esta sexta-feira (11), quando as lideranças devem apresentar as demandas da comunidade e discutir alternativas para evitar o deslocamento forçado das famílias. A equipe do O FATO,também aguarda um posicionamento do Governo do Estado sobre a manifestação.

Veja o vídeo da manifestação: 

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