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Gestão de Joner Chagas já pagou mais de R$ 93 milhões à empresa investigada por propina a servidores de Bonfim

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A empresa João de Barro Comércio e Serviços LTDA, alvo da Polícia Federal por pagar propina a servidores da Prefeitura de Bonfim, já ganhou pelo menos 56 contratos com a prefeitura daquele município apenas na gestão do prefeito Joner Chagas (Republicanos). Somados, os contratos ultrapassam R$ 93 milhões.

O levantamento foi realizado pelo Portal O FATO, com base em dados publicados no Portal da Transparência daquele município. Contudo, o número pode ser ainda maior, tendo em vista que o site apresenta problemas de conexão a partir da página 24 dos contratos do município.

Ao todo, os contratos chegam a R$ 93.944.138,40, entre contratos com a gestão de Joner Chagas e a empresa João de Barro. Os contratos são de diversos valores para muitas finalidades. Contudo, um contrato de mais de R$ 60 milhões chama a atenção.

Este contrato específico é para serviços de manutenção e recuperação de pontos de iluminação pública nas ruas da cidade de Bonfim, Vilas e Comunidades Indígenas do Município de Bonfim. O contrato teve vigência de outubro de 2019 até outubro de 2020. 

Na mira da PF

Na sexta-feira, 26, durante a operação que apreendeu R$ 460 mil em espécie, em Boa Vista, a Polícia Federal prendeu Cleber da Costa Gonçalves, irmão do dono da empresa João de Barro Comércio e Serviços – ME; o presidente da Comissão Permanente de Licitação da Prefeitura de Bonfim, Cirilo Francis de King Campos Júnior e o motorista do prefeito de Bonfim, identificado como Aluízio Rodrigues de Menezes. O trio foi preso por fraudes em licitação da Prefeitura de Bonfim. 

Denúncia

O Portal O FATO teve acesso ao documento que detalha como os suspeitos foram presos. Conforme o documento, a Polícia Federal recebeu denúncia anônima de que Cleber da Costa Gonçalves, identificado como irmão do proprietário da empresa, efetuaria saques em espécie de altas quantias, ao longo da semana, em uma agência bancária para pagar propina.

O documento destaca, ainda, que a empresa é investigada em vários procedimentos por se tratar de uma empresa de fachada destinada a fraudar licitações e a movimentar dinheiro com o objetivo de lavagem de dinheiro.

Contrato milionário

O montante apreendido nessa sexta-feira, 26, segundo o documento, trata-se de dinheiro recebido da Prefeitura de Bonfim “em virtude de licitações feitas a pretexto de custear evento cultural daquela cidade (Festejos de Bonfim). O FATO publicou matéria no dia 8 de abril deste ano evidenciando o montante exorbitante do contrato, fechado em R$ 2,5 milhões.

Conforme o documento, a empresa recebeu cerca de R$ 1,6 milhão da prefeitura daquele município nos últimos dias. Contudo, o Portal da Transparência de Bonfim não apresenta contratos recentes com a João de Barro. “Trata-se de transferência de valores sem contrato? É prudente que se realize uma investigação mais aprofundada desses certames, os quais, ao que tudo indica, foram feitos ao arrepio da lei”, diz trecho do documento.

Após confirmar a denúncia, os agentes federais iniciaram diligências e constaram que na última terça-feira, 23, foram sacados aproximadamente R$ 500 mil. Além disso, outro saque de R$ 480 mil foi realizado na quinta-feira, 25. “Sacaram, juntos, Cleber da Costa Gonçalves e o presidente da CPL, Cirilo Francis de King Campos Júnior”, descreve.

Na quinta-feira, após o saque, saíram juntos da agência do Banco do Brasil, na Avenida Ville Roy, no carro de Cleber. “Cirilo foi deixado por Cleber em algum lugar desta cidade, tendo este último retornado para casa sozinho um tempo depois. Não foi possível efetuar a prisão em flagrante deles no dia de ontem porque a equipe policial os perdeu de vista”.

Outro lado

O Portal O FATO tenta contato com a Prefeitura de Bonfim para questionar se os demais contratos serão anulados ou se serão alvo de alguma investigação por parte da própria prefeitura após a Polícia Federal escancarar o pagamento de propina.

Foto: Divulgação 
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