A Polícia Federal (PF) informou, nesta quarta-feira (28), que investiga as circunstâncias da saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil, após ele descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão proibia o parlamentar de deixar o território nacional e ordenava a entrega dos passaportes comum e diplomático.
Flávio deixou o país na terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas, após atravessar a fronteira com a Argentina. De lá, a família embarcou em uma aeronave particular com destino aos Estados Unidos.
Segundo a Polícia Federal, não foram identificados registros oficiais de passagem do senador por postos de controle migratório brasileiros durante a viagem.
Em nota, a corporação esclareceu que a existência de restrições relacionadas a documentos de viagem não significa, automaticamente, que uma pessoa seja considerada foragida.
“A existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares”, informou a PF.
PF pediu restrições após eleição presidencial
A Polícia Federal informou que solicitou ao STF, ainda no domingo (25), medidas cautelares para impedir que Flávio Bolsonaro deixasse o país. O pedido ocorreu no dia do segundo turno das eleições presidenciais, quando o senador foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre as providências solicitadas estavam a apreensão dos passaportes, a proibição de viagens internacionais e a restrição de contato com outros investigados.
As medidas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da Petição nº 16877/DF, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Após a decisão judicial, a PF cancelou os passaportes comum e diplomático emitidos pelo Brasil em nome do senador. Também foi incluído um alerta migratório no sistema Sonar, utilizado no controle de movimentações em postos de fronteira.
Flávio é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro
O senador é investigado em procedimentos que tramitam no Supremo Tribunal Federal.
Um dos inquéritos apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets. A investigação também envolve o advogado e empresário Willer Tomaz, apontado como próximo de Flávio Bolsonaro.
Outro procedimento investiga o financiamento do filme Dark Horse, relacionado à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam irregularidades.
Declaração de Eduardo Bolsonaro antecedeu decisão
A determinação judicial para impedir a saída de Flávio Bolsonaro ocorreu após uma manifestação pública de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Durante uma transmissão nas redes sociais, Eduardo afirmou que Flávio deveria deixar o Brasil caso fosse derrotado na eleição presidencial, para comandar a oposição brasileira a partir do exterior.
Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos, apesar da existência de um mandado de prisão em aberto contra ele no Brasil.
O ex-deputado foi condenado a quatro anos de prisão por sua atuação na articulação de sanções contra autoridades brasileiras e de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros, em uma tentativa de impedir a condenação de Jair Bolsonaro no processo relacionado à trama golpista.
A Polícia Federal prossegue com a apuração das circunstâncias em que Flávio Bolsonaro conseguiu deixar o território brasileiro mesmo após a determinação judicial que restringia sua saída do país.

