O personal trainer Igson de Farias Pinto, de 39 anos, foi preso em flagrante na noite deste sábado (3), em Manaus, após ser abordado transportando R$ 70,8 mil em espécie, materiais de campanha eleitoral e listas contendo nomes, telefones e outros dados pessoais.
Durante a abordagem, policiais militares encontraram santinhos dos candidatos a deputado estadual Dr. Eduardo Assis (Avante) e Adail Filho (MDB). O dinheiro estava dividido em notas de R$ 100 e R$ 50.
Um estudante de 22 anos também estava no veículo e foi levado para averiguação. Posteriormente, ele foi liberado por não terem sido encontrados indícios de participação nas condutas investigadas. Igson afirmou que apenas havia dado carona ao jovem.
Segundo relatório da Polícia Federal, a abordagem ocorreu durante patrulhamento no bairro São Jorge, zona oeste da capital amazonense. Os policiais suspeitaram do veículo conduzido pelo personal trainer após o carro deixar uma residência localizada na Avenida Brasil.
Na vistoria, além do dinheiro e dos materiais eleitorais, foram encontrados cadastros com nomes, contatos e dados pessoais, além de envelopes identificados com nomes e contendo quantias em dinheiro previamente separadas.
Igson e o estudante foram encaminhados à sede da Polícia Federal.
PF suspeita de dinheiro para obtenção de votos
De acordo com o relatório policial, a combinação dos materiais encontrados, das circunstâncias em que o dinheiro era transportado e da atuação eleitoral relatada pelo próprio investigado levantou a suspeita de que os valores poderiam ser destinados à distribuição de vantagens para obtenção de votos.
A PF destacou que os R$ 70,8 mil foram encontrados na noite de 3 de outubro, véspera da votação.
O celular de Igson também foi apreendido. Neste domingo (4), o delegado da Polícia Federal Erasmo Soares da Silva solicitou a quebra do sigilo dos dados armazenados no aparelho.
Entre os documentos apreendidos havia uma relação contendo nomes e números de telefone e outro cadastro, identificado como “banco de dados — guigui”, com informações mais detalhadas, como nome da mãe, data de nascimento e contatos.
Segundo a PF, esses documentos não correspondiam a registros financeiros da empresa nem a comprovantes relacionados aos serviços de logística apontados pelo personal trainer como origem do dinheiro.
Personal trainer nega compra de votos
Em depoimento, Igson afirmou que os R$ 70,8 mil eram recursos próprios de sua empresa, acumulados ao longo de aproximadamente cinco ou seis meses com a prestação de serviços de logística.
“Quanto ao recurso que foi encontrado no veículo, era um recurso próprio da minha empresa de recursos prestados que eu já vinha recebendo ao longo do tempo. E esse recurso era o que eu iria pagar toda minha equipe de funcionários”, declarou.
Ele também afirmou que o dinheiro não seria proveniente de um único serviço, mas de valores acumulados durante vários meses.
Igson negou trabalhar oficialmente para candidatos ou possuir filiação partidária. Segundo ele, amigos envolvidos na campanha teriam pedido ajuda para conseguir apoio aos candidatos por causa do número de funcionários de sua empresa.
O personal trainer também possui publicações nas redes sociais em apoio a Eduardo Assis e Adail Filho.
Questionado sobre os materiais eleitorais encontrados no veículo, afirmou que os santinhos haviam sido entregues por amigos e permaneceram no carro sem utilização.
Justiça concede liberdade provisória
Neste domingo (4), durante audiência de custódia, a juíza plantonista Vanessa Leite concedeu liberdade provisória a Igson.
A decisão estabeleceu medidas cautelares, entre elas o pagamento de fiança equivalente a 40 salários mínimos, aproximadamente R$ 64,8 mil.
As circunstâncias da apreensão e a eventual destinação do dinheiro seguem sob investigação.

