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Vingança e distribuição sem critérios claros do Fundão podem levar União Brasil do auge ao fracasso em Roraima

Os candidatos ouvidos pela reportagem afirmaram não saber quais critérios são adotados pela direção do partido para definir a destinação dos recursos e os valores repassados.

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O Fundo Eleitoral, verba destinada pelos partidos aos candidatos para o financiamento de campanhas, segue causando polêmica e desavenças em Roraima às vésperas da eleição. Enquanto alguns têm suas candidaturas impulsionadas com milhões de reais desses recursos, outros enfrentam dificuldades, e o caso não se limita aos candidatos do Partido Liberal.

No União Brasil, a verba virou motivo de desavença dentro do próprio partido. O deputado Lucas Souza, por exemplo, não recebeu nenhum centavo do fundão. Em entrevista ao O FATO, o parlamentar afirmou que o presidente nacional da sigla, Antonio Rueda, explicou que ele não receberia recursos porque a mãe do deputado, Tânia Soares, não aceitou ser candidata a deputada federal.

No início do ano, o União Brasil se tornou o maior partido da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), com mais de dez deputados com mandato. Agora, parlamentares que disputam a reeleição sem apoio financeiro do partido podem enfrentar dificuldades para manter suas campanhas, e a sigla pode perder espaço na Casa.

Os candidatos ouvidos pela reportagem afirmaram não saber quais critérios são adotados pela direção do partido para definir a destinação dos recursos e os valores repassados. Dos 19 candidatos, apenas cinco receberam valores próximos ou superiores a R$ 1 milhão para o financiamento da campanha. Sete deputados com mandato não receberam nenhum recurso até o momento, conforme levantamento do O FATO.

 

Entenda como funciona o Fundo Eleitoral

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral ou “fundão eleitoral”, é formado por recursos públicos destinados exclusivamente ao financiamento das campanhas. Criado em 2017, o mecanismo surgiu após a proibição das doações de empresas a candidatos e partidos.

Nas eleições de 2026, o fundo soma R$ 4,961 bilhões. O dinheiro é distribuído pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aos partidos políticos conforme critérios estabelecidos em lei: 2% são divididos igualmente entre as legendas; 35% levam em consideração os votos obtidos na última eleição para a Câmara dos Deputados; 48% consideram o número de deputados federais eleitos; e 15%, o número de senadores eleitos.

Depois que os recursos chegam às legendas, cabe à direção nacional de cada partido estabelecer os critérios para a distribuição entre seus candidatos. A legislação não determina divisão igualitária nem garante que todos os candidatos recebam o mesmo valor.

Os critérios precisam ser aprovados pela maioria absoluta do órgão executivo nacional do partido, divulgados publicamente e encaminhados ao TSE. Assim, uma legenda pode priorizar determinadas candidaturas e destinar valores diferentes a candidatos que disputam o mesmo cargo, desde que respeite os critérios previamente estabelecidos e as demais exigências da legislação eleitoral.

Também existem regras específicas para a destinação de recursos às candidaturas de mulheres, pessoas negras e indígenas. Todos os repasses e gastos realizados com recursos do Fundo Eleitoral devem constar nas prestações de contas apresentadas à Justiça Eleitoral.

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