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MP denuncia dez influenciadores por esquema de jogos de azar que movimentou R$ 67,5 milhões em Roraima

Segundo o Ministério Público, grupo usava redes sociais para divulgar plataformas clandestinas, exibir supostos ganhos e atrair apostadores

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O Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) denunciou, nesta sexta-feira (4), dez influenciadores digitais acusados de participar de um esquema de divulgação e exploração de jogos de azar por meio das redes sociais. Segundo o órgão, os denunciados receberam, juntos, aproximadamente R$ 67,5 milhões de empresas intermediadoras de pagamentos ligadas ao sistema de apostas eletrônicas.

A denúncia foi apresentada pela Promotoria de Justiça Especializada em Organização Criminosa e Lavagem de Capitais e atribui aos investigados, conforme a participação apontada no processo, crimes relacionados à exploração de jogos de azar, afirmação falsa ou enganosa sobre produtos ou serviços, indução do consumidor a erro, crimes contra a economia popular, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Três dos denunciados também respondem por estelionato.

Foram denunciados Adrielly Vivianny Araújo de Jesus, Dione dos Santos da Silva, Raniely Silva Carvalho, Patrik Adhan dos Santos Ribeiro, Amanda Lourenço Faria, Laís Ramos Gomes da Silva, Victoria Paixão Barros, Vitória Reis da Silva, Juliana Lima do Nascimento e Gildázio Sobrinho Santos Cardoso.

De acordo com o MPRR, os cerca de R$ 67,5 milhões foram recebidos pelos influenciadores entre janeiro de 2023 e outubro de 2024.

Ostentação e promessa de lucro fácil

Segundo a denúncia, as plataformas clandestinas eram promovidas por meio de stories, reels e vídeos publicados pelos influenciadores. As postagens apresentavam links personalizados que direcionavam os seguidores aos sites para realização de cadastros e depósitos.

O Ministério Público afirma que os divulgadores exibiam supostos ganhos com apostas, carros, imóveis, viagens e outros bens, associando o conteúdo à possibilidade de obtenção de dinheiro por meio dos jogos.

Em contrapartida, os influenciadores receberiam comissões pela captação de novos apostadores.

A investigação apontou ainda que os divulgadores utilizavam contas de demonstração fornecidas pelas próprias plataformas, que permitiriam a exibição de ganhos elevados que, segundo o MPRR, não correspondiam à experiência real dos usuários.

Após realizar depósitos, os apostadores visualizavam supostos lucros e eram estimulados a continuar jogando. De acordo com a denúncia, quando tentavam sacar quantias maiores, usuários enfrentavam bloqueios ou negativas para retirada do dinheiro.

MPRR aponta três núcleos no esquema

A investigação sustenta que a associação criminosa funcionava a partir de três núcleos interligados.

O chamado Núcleo Operacional e Empresarial seria formado pelos responsáveis pela administração das plataformas clandestinas, operadores financeiros e empresas intermediadoras de pagamentos.

Já o Núcleo de Divulgação e Captação seria composto pelos influenciadores responsáveis por promover os jogos nas redes sociais e atrair novos apostadores.

Um terceiro grupo, denominado Núcleo de Ocultação Financeira, teria a função de ocultar e dissimular a origem e a propriedade dos recursos provenientes do esquema.

Dinheiro teria sido usado em carros, imóveis, viagens e procedimentos estéticos

Segundo o promotor de Justiça Carlos Alberto Melotto, a lavagem de dinheiro teria ocorrido mediante movimentações entre diferentes instituições financeiras, contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas e transferências envolvendo denunciados e terceiros.

Parte dos recursos provenientes das plataformas também teria sido incorporada ao patrimônio dos envolvidos por meio da aquisição de veículos, imóveis, viagens, procedimentos estéticos e outros bens de alto valor, conforme aponta a denúncia.

“Estamos falando de um esquema que explora a confiança das pessoas e a expectativa de obter ganhos financeiros, causando prejuízos que podem comprometer a renda e o patrimônio das vítimas. A atuação do Ministério Público busca interromper esse ciclo, responsabilizar os envolvidos e impedir que estruturas como essa continuem utilizando as redes sociais para alcançar novos consumidores”, afirmou Melotto.

Ministério Público pede reparação às vítimas

Além da condenação dos denunciados, o MPRR pediu à Justiça a fixação de um valor mínimo para reparação dos danos causados a três vítimas identificadas pelas iniciais K.H.F., J.S.O.S. e A.S.C.

O montante deverá ser definido a partir das provas apresentadas no decorrer do processo.

A apresentação da denúncia pelo Ministério Público não significa condenação dos envolvidos. Caberá à Justiça analisar o caso e, observados os procedimentos legais, decidir sobre o recebimento da acusação e a eventual responsabilidade de cada denunciado.

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