InícioRoraimaJustiça Eleitoral inicia operação para eleição suplementar ao Governo de Roraima

Justiça Eleitoral inicia operação para eleição suplementar ao Governo de Roraima

Com apenas 39 dias de preparação, Justiça Eleitoral articula apoio aéreo e reforço logístico para garantir o direito ao voto em regiões remotas.

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A Justiça Eleitoral deu início aos preparativos para a eleição suplementar que definirá os novos ocupantes dos cargos de governador e vice-governador de Roraima, marcada para o dia 21 de junho de 2026. Convocado após a cassação do mandato do atual chefe do Executivo estadual, o novo pleito exigirá uma força-tarefa coordenada entre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR), diante dos desafios logísticos e climáticos que marcam o estado.

Com pouco mais de um mês para organizar a votação, os órgãos eleitorais trabalham para garantir a realização do processo dentro do calendário estabelecido e assegurar o acesso dos eleitores às urnas, inclusive em áreas de difícil acesso.

Roraima apresenta um dos cenários operacionais mais complexos do país. Mais da metade do território estadual é composta por terras indígenas, enquanto diversas comunidades dependem exclusivamente de transporte fluvial ou aéreo, muitas vezes em pistas sem infraestrutura adequada.

Para viabilizar a eleição suplementar, o TRE-RR já detalhou a necessidade de uma série de insumos essenciais ao funcionamento das seções eleitorais. Entre os materiais previstos estão mil bobinas de papel destinadas às urnas eletrônicas, 650 cabines de votação e cerca de 4 mil lacres de segurança para garantir a integridade dos equipamentos.

Desafios logísticos e climáticos

A eleição ocorrerá em pleno período chuvoso em Roraima, fator considerado um dos principais obstáculos pela Justiça Eleitoral. Historicamente, as fortes chuvas provocam danos em pontes, bloqueios em ramais e comprometem pistas de pouso utilizadas para acessar regiões isoladas do estado.

Outro desafio é a limitação do transporte aéreo regional. A escassez de voos comerciais e a baixa capacidade do mercado local de aviação civil dificultam o atendimento da demanda extraordinária gerada pelo pleito.

Diante desse cenário, a Justiça Eleitoral instaurou procedimento formal para solicitar apoio logístico das Forças Armadas, especialmente no transporte aéreo de urnas eletrônicas e equipes de trabalho até localidades remotas, incluindo áreas indígenas e comunidades de difícil acesso.

Mobilização do TSE

Para estruturar toda a operação em apenas 39 dias, o TSE acionou diferentes frentes administrativas. Entre as medidas adotadas está o pedido de abertura de crédito suplementar para custear despesas extraordinárias, como alimentação de mesários, manutenção de equipamentos e suporte operacional.

A Secretaria de Tecnologia da Informação (STI) do tribunal também recebeu orientação para garantir estabilidade e pleno funcionamento do aplicativo e-Título durante o período eleitoral, assegurando o acesso dos eleitores aos serviços digitais.

Além disso, setores como as secretarias de Comunicação e Multimídia, Gestão de Pessoas e a Corregedoria-Geral acompanham de forma contínua a preparação da eleição, com o objetivo de preservar a normalidade, a legitimidade e a universalidade do processo eleitoral.

Cassação motivou nova eleição

A convocação da eleição suplementar ocorreu após decisão do Tribunal Superior Eleitoral, proferida em sessão realizada no dia 30 de abril, que determinou a cassação do mandato do governador de Roraima, Edilson Damião, e a realização de novas eleições diretas no estado.

Na mesma decisão, a Corte declarou a inelegibilidade por oito anos do ex-governador Antonio Denarium. Ambos foram condenados por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, em entendimento que confirmou decisão anterior do TRE-RR.

Segundo a Justiça Eleitoral, houve uso indevido da máquina pública para obtenção de vantagens eleitorais por meio dos programas sociais Cesta da Família e Morar Melhor. Entre as irregularidades apontadas estão a distribuição considerada irregular de benefícios e cestas básicas, reformas habitacionais voltadas a famílias de baixa renda, gastos acima do limite legal com publicidade institucional e o repasse de quase R$ 70 milhões do governo estadual para 12 dos 15 municípios de Roraima durante o período eleitoral.

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