O ex-presidente Michel Temer confirmou ter participado de uma reunião em Brasília com o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
A informação foi dada em entrevista, na qual Temer afirmou que esteve no encontro na condição de advogado, prestando consultoria e mediação ao grupo empresarial. Segundo ele, a reunião ocorreu antes da liquidação envolvendo a instituição financeira, mas não teve a data detalhada.
O relato do ex-presidente ocorre após declarações anteriores de Ibaneis Rocha, que admitiu ter se encontrado com Vorcaro em outras ocasiões, mas negou ter tratado de negociações relacionadas ao Banco de Brasília.
Temer também confirmou que recebeu valores do Grupo Master pelo trabalho jurídico. Ele destacou que, desde que deixou a vida pública, atua exclusivamente como advogado. Sobre o conteúdo das conversas, afirmou que as informações estão protegidas por confidencialidade profissional.
Pagamentos e contratos
Documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado apontam que o Banco Master realizou pagamentos elevados a escritórios de advocacia ao longo de 2025. Entre os beneficiários está o escritório de Michel Temer, que recebeu cerca de R$ 10 milhões.
Na mesma lista aparecem bancas ligadas ao ex-ministro Ricardo Lewandowski, ao dirigente partidário Antônio Rueda e ao escritório vinculado à esposa do ministro Alexandre de Moraes, com valores que somam mais de R$ 300 milhões em contratos.
CPI tenta ouvir Ibaneis
A Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado tentou ouvir Ibaneis Rocha em duas ocasiões. Na mais recente, o ex-governador foi dispensado após decisão do ministro André Mendonça, que reconheceu o direito de não produzir prova contra si.
O relator da comissão, senador Alessandro Vieira, criticou a decisão e afirmou que medidas desse tipo impactam o andamento das investigações.
Instalada em novembro de 2025, a CPI apura a atuação de organizações criminosas e passou a investigar o Banco Master após suspeitas de uso de empresas ligadas ao grupo em esquemas de lavagem de dinheiro.


