O reitor da Universidade Estadual de Roraima (UERR), Cláudio Travassos, afirmou que passou a enfrentar ameaças e a receber recados e recomendações para deixar Boa Vista em dezembro do ano passado, em meio ao avanço de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público sobre irregularidades na instituição. Segundo ele, o clima de tensão e os monitoramentos relatados estão ligados ao temor de pessoas que podem ser alcançadas pelos desdobramentos das apurações.
Em entrevista à Rádio Folha FM, Travassos afirmou que as ameaças não alteraram sua postura à frente da universidade. “Da minha parte, eu não tenho problema nenhum em ser ameaçado ou receber recado. Eu vou fazer o que tem que ser feito. A única maneira que acharam para que isso possa não acontecer é ameaça”, declarou.
O reitor disse que chegou a receber orientação para se afastar temporariamente da capital. “Ano passado, por exemplo, em dezembro, o professor Damas recomendou que eu saísse de Boa Vista. Isso obviamente por conta dos monitoramentos”, afirmou, ao relatar o contexto das pressões sofridas.
Travassos declarou que não possui vínculos que o impeçam de avançar com as apurações internas. “Eu não tenho o rabo preso com nada e com ninguém. Vou deixar bem claro quem é quem nesse esquema podre que vingou na universidade durante esses anos”, disse durante a entrevista.
Segundo o reitor, o ambiente de ameaças está relacionado ao temor dos envolvidos. “As pessoas que se envolveram com isso estão temerosas, não sabem o que vai acontecer. Esse temor pode gerar o fator que a gente vivenciou durante esse tempo”, afirmou.
Ele também associou o cenário às investigações externas. “A investigação da Polícia Federal fala em organização criminosa. Isso significa que são vários elementos em várias esferas, inclusive fora da universidade”, disse.
Travassos afirmou que, independentemente das ameaças, a universidade seguirá adotando providências administrativas. “Do portão da universidade para dentro, todas as medidas que a gente puder fazer, desde a investigação até o processo administrativo, serão feitas. Independentemente de onde essas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público vão chegar”, declarou.
Ingresso no curso de medicina
Um dos pontos citados pela reitoria como parte do conjunto de problemas investigados envolve o ingresso de alunos no curso de Medicina em anos anteriores. A suspeita é de direcionamento de vagas em vestibulares passados, o que levou à abertura de apuração no Ministério Público. Para o reitor, a possível irregularidade no ingresso pode ter impactado o desempenho acadêmico de determinadas turmas e passou a ser tratada como prioridade nas apurações internas.
Revisão de contratos
No processo de revisão administrativa adotado após o início das investigações, a reitoria afirmou ter refeito contratos considerados suspeitos. Entre os exemplos citados está a locação de veículos, que custava cerca de R$ 1 milhão por ano e deixou de ser utilizada pela universidade. Outro caso envolve a locação de computadores, cuja demanda formalizada previa gastos de aproximadamente R$ 3,2 milhões, mas que, após reavaliação, foi contratada por cerca de R$ 700 mil.
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