O governador de Roraima, Soldado Sampaio (Republicanos), afirmou neste sábado (19) que o potencial de terras raras identificado no estado pode abrir caminho para uma nova matriz econômica. A declaração foi feita durante visita ao Complexo Mineral Barreira, em Caracaraí, onde são desenvolvidas pesquisas sobre a ocorrência desses minerais.
Sampaio esteve no local acompanhado de pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Universidade de Brasília (UnB) e Universidade de São Paulo (USP). A visita marcou o encerramento do 1º Fórum de Elementos Terras Raras, Minerais Estratégicos e Críticos em Roraima.
Estudos realizados na região investigam concentrações de elementos de terras raras e buscam dimensionar o potencial econômico do depósito. As características geológicas encontradas no complexo apresentam semelhanças com depósitos estudados em Goiás.
Pesquisador da UFRR, Carlos Lucas Vieira explicou que a ocorrência dos minerais está relacionada à formação geológica da região, localizada em uma área de encontro de grandes blocos geológicos.
“Por isso que aqui está tão cheio de terras raras. São riquezas para Roraima e para o Brasil como um todo”, afirmou.
As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos utilizados na fabricação de produtos e equipamentos de alta tecnologia, como ímãs permanentes, componentes eletrônicos, veículos elétricos e sistemas de geração de energia. Esses elementos também têm aplicações nas indústrias automobilística, eletrônica e médica.
Dez licenças para pesquisa
Segundo o Governo de Roraima, a Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) já concedeu dez Licenças Especiais para Pesquisa Mineral que abrangem o Complexo Mineral Barreira.
As autorizações permitem o avanço dos estudos, mas a dimensão da reserva e sua viabilidade para exploração comercial ainda dependem dos resultados das pesquisas.
“Isso aqui é riqueza, é um novo marco de desenvolvimento para o estado de Roraima. E cabe a nós, enquanto governo, facilitar com licença, com estrutura, apoiando os empreendedores”, declarou Sampaio.
O governador afirmou que o Estado pretende dar suporte à realização das pesquisas dentro das exigências ambientais e legais.
“Da parte do governo, estamos dando todo o apoio necessário”, acrescentou.
Sampaio defende refino em Roraima
Durante a visita, Sampaio também defendeu que, caso a exploração comercial das terras raras se torne viável, Roraima não se limite à extração e exportação da matéria-prima.
A proposta defendida pelo governador é estabelecer no estado outras etapas da cadeia produtiva, incluindo beneficiamento, processamento e refino dos minerais.
“Não queremos apenas extrair e enviar a matéria-prima para refino na China. Queremos o refino aqui, gerando emprego, renda, mão de obra qualificada e qualidade de vida para nossa gente”, afirmou.
Segundo Sampaio, uma eventual cadeia produtiva das terras raras também poderia envolver universidades, pesquisadores, qualificação profissional, empresas e desenvolvimento tecnológico.
“Isso aqui é desenvolvimento, é emprego, é distribuição de renda, com a possibilidade de ampliar os investimentos públicos em saúde, educação e segurança”, concluiu.

