A coligação da candidata ao Governo do Tocantins Professora Dorinha (União Brasil) conseguiu na Justiça Eleitoral autorização para auditar os dados da pesquisa VR Skala que colocou Vicentinho Júnior (PSDB) na liderança da disputa estadual e Dorinha na segunda colocação.
A decisão é do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) e obriga a Brasil Consultoria e Marketing Ltda., responsável pela VR Skala, a fornecer planilhas, mapas e arquivos relacionados à coleta do levantamento registrado sob o número TO-08826/2026.
A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 6 de setembro. No cenário para o Governo, Vicentinho Júnior aparece em primeiro lugar, com 33,6% das intenções de voto, à frente de Professora Dorinha.
O levantamento ouviu 1.600 eleitores e tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Coligação pediu acesso aos dados da pesquisa
A ação foi apresentada pela coligação União pelo Tocantins, que pediu acesso ao sistema interno de controle, verificação e fiscalização da coleta realizada pela VR Skala.
Conforme a decisão, a coligação solicitou especificamente as informações relacionadas às pesquisas para governador e senador, além da possibilidade de realizar uma conferência aleatória das planilhas e dos demais registros utilizados pelo instituto.
No documento, entretanto, não é apontada uma fraude específica, manipulação ou erro na pesquisa como fundamento para o pedido. A coligação recorreu ao mecanismo previsto na legislação eleitoral que permite a candidatos, partidos e coligações fiscalizar os procedimentos adotados pelos institutos.
O pedido ocorre após a divulgação do levantamento que colocou Dorinha atrás de Vicentinho na corrida pelo Palácio Araguaia. A pesquisa foi divulgada em 7 de setembro.
TRE-TO autoriza auditoria
A desembargadora Silvana Maria Parfieniuk, juíza auxiliar da Propaganda Eleitoral, deferiu o pedido ao considerar que a legislação garante às coligações o direito de acessar os sistemas de controle e fiscalização das empresas que divulgam pesquisas eleitorais.
Com a determinação, a VR Skala terá dois dias, contados da notificação, para fornecer as planilhas individuais, mapas ou documentos equivalentes referentes à pesquisa TO-08826/2026, especificamente sobre os dados coletados para governador e senador.
Também deverão ser disponibilizados arquivos eletrônicos eventualmente utilizados durante a coleta.
Nos dois dias seguintes ao fim desse prazo, a empresa deverá permitir que a coligação ou um representante credenciado tenha acesso à sede ou filial do instituto, em horário comercial, para examinar aleatoriamente as planilhas, mapas e arquivos.
A Justiça determinou que a fiscalização preserve obrigatoriamente o sigilo e a identidade dos eleitores entrevistados.
Multa de R$ 5 mil por dia
A decisão estabelece multa de R$ 5 mil por dia caso a VR Skala deixe de cumprir a determinação após o término do prazo concedido. O valor está limitado inicialmente a R$ 50 mil.
A magistrada também deixou aberta a possibilidade de aplicação da sanção específica prevista na Lei das Eleições e de apuração de eventual responsabilidade criminal caso haja conduta destinada a impedir, retardar ou dificultar a fiscalização.
O Ministério Público Eleitoral deverá ser comunicado da decisão.
A determinação do TRE-TO não declara a pesquisa irregular, fraudulenta ou manipulada e também não suspende seus resultados. A decisão garante à coligação de Dorinha acesso aos dados e procedimentos utilizados na elaboração do levantamento para que possa fiscalizá-los.

