Recursos provenientes de emendas parlamentares da deputada federal Dra. Alessandra Haber (MDB-PA) teriam abastecido empreiteiras responsáveis pelo pagamento de uma mansão de luxo no Ceará. O imóvel de praia, localizado em Fortim, pertence à congressista e ao seu marido, o ex-prefeito de Ananindeua e atual líder nas pesquisas ao governo paraense, Dr. Daniel Santos. A investigação ganhou força após a incorporadora confirmar que as parcelas da residência foram quitadas integralmente por terceiros entre 2024 e 2025, segundo matéria publicada pelo Metrópoles.
De acordo com o texto, o Ministério Público do Pará (MP-PA) identificou que diversas empresas com contratos ativos na prefeitura de Ananindeua, durante a gestão de Daniel Santos, realizaram transferências vultuosas para a incorporadora. Em um dos casos, um funcionário de empresa terceirizada repassou R$ 200 mil logo após o fechamento do negócio em outubro de 2024. A casa, que já foi entregue mobiliada e equipada, teve seu valor total quitado em apenas cinco meses, um prazo considerado recorde pelas autoridades.
Pagamentos e contratos públicos
A apuração detalha uma espécie de “vaquinha” realizada por fornecedoras municipais, como a Neo BRS, que vende materiais escolares para a Secretaria de Educação de Ananindeua. No dia seguinte ao recebimento de R$ 1,4 milhão dos cofres públicos, a empresa transferiu R$ 866 mil para o pagamento do imóvel do casal. Outra fornecedora, a Ferreira Comercial, realizou um repasse de R$ 521 mil na mesma data em que recebeu faturas da prefeitura, reforçando os indícios de irregularidades.
O caso chegou a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF), onde a defesa de Daniel Santos tentou anular as investigações alegando supostos erros procedimentais do Ministério Público paraense. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes decidiu, em março deste ano, que o processo deve seguir na Justiça do Pará. Até o momento, a deputada Alessandra Haber e o ex-prefeito Daniel Santos não se manifestaram oficialmente sobre o teor das graves acusações apresentadas na denúncia.
Repasses identificados
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Neo BRS: Fornecedora de materiais escolares; realizou o pagamento de R$ 866 mil pela residência de luxo em outubro de 2024.
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Ferreira Comercial: Atuante na área de educação; transferiu R$ 521 mil para a incorporadora no mesmo dia em que recebeu da prefeitura.
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Norte Ambiental e Construtora Santa Cruz: Empresas fornecedoras da gestão municipal também citadas como participantes do fluxo financeiro do imóvel.
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Logística de Pagamento: Quitação total realizada entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025 por pessoas físicas e jurídicas ligadas à gestão.


