Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2024 mostram que o Amapá tem a maior proporção de adolescentes vítimas de violência sexual no país, com 26,3% dos estudantes de 13 a 17 anos relatando algum tipo de abuso.
O levantamento, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação, indica que a violência atinge principalmente meninas. No estado, 35,7% delas relataram episódios de abuso, mais que o dobro do percentual entre os meninos, que ficou em 16,5%.
Entre os tipos de violência registrados estão toques, manipulações, beijos forçados e exposição do corpo sem consentimento. A pesquisa também aponta que 13,5% dos adolescentes já foram obrigados a manter relação sexual contra a vontade em algum momento da vida.
O recorte por sexo reforça a desigualdade. Entre as meninas, 18% relataram esse tipo de violência, enquanto entre os meninos o percentual foi de 8,9%. Em 70,6% dos casos, a primeira ocorrência aconteceu até os 13 anos.
Os dados indicam ainda que os agressores, na maioria das vezes, fazem parte do convívio das vítimas. Familiares aparecem em 33,7% dos relatos, seguidos por conhecidos, com 23,4%, e namorados ou namoradas, com 18,6%. Casos classificados como estupro foram informados por 8,8% das meninas e 3,7% dos meninos.
Além da violência sexual, a pesquisa traz outros indicadores de risco entre adolescentes no Amapá. O bullying foi relatado por 29,6% dos estudantes nos últimos 30 dias, enquanto 16,7% disseram ter sofrido ameaças ou ofensas em ambientes digitais.
Consumo de álcool
O consumo de álcool também aparece em nível elevado. Segundo o levantamento, 42,6% dos adolescentes já ingeriram bebida alcoólica e 38,2% afirmaram já ter se embriagado. O uso de drogas ilícitas foi declarado por 6,1%, e 15,4% disseram já ter fumado.
A iniciação sexual foi relatada por 38,5% dos estudantes, sendo que 40,9% não utilizaram preservativo na última relação. Entre as meninas, 7,4% já engravidaram, com maior incidência na rede pública de ensino.
No contexto familiar, menos da metade dos adolescentes vive com pai e mãe. O levantamento mostra que 49,5% estão nessa condição, enquanto 35,8% moram apenas com a mãe, 6,7% apenas com o pai e 7,9% não vivem com nenhum dos dois.
A pesquisa
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar é realizada desde 2009 e monitora fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes. Os dados mais recentes apontam para a necessidade de ampliar ações de prevenção à violência, especialmente no ambiente familiar e escolar.
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