O escritório particular de advocacia ligado ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), movimentou quase R$ 43 milhões em operações com um fundo administrado pela Reag Investimentos, segundo Relatório de Inteligência Financeira do Coaf revelado nesta quarta-feira, 18 de março de 2026. As transações, de R$ 32,5 milhões e R$ 10,3 milhões, ocorreram em novembro de 2023.
Os valores aparecem vinculados ao Laguz I Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Não Padronizados, então administrado pela Reag e hoje sob gestão da Planner Corretora.
O caso ganhou novo peso político porque a Reag é investigada por suspeitas de irregularidades financeiras no entorno do Banco Master.
A revelação ocorre dias depois de outra frente do caso vir a público. Em 10 de março, foi noticiado que o escritório de Ibaneis firmou contrato de R$ 38,1 milhões para vender honorários de precatórios a outro fundo ligado à Reag.
Na ocasião, a defesa afirmou que o governador está afastado do escritório desde 2018 e negou participação dele nas negociações.
Segundo a apuração divulgada nesta quarta-feira, a oposição na Câmara Legislativa do Distrito Federal pediu ao Ministério Público investigação por improbidade administrativa e bloqueio de bens. O novo episódio amplia a pressão sobre o Palácio do Buriti em meio à crise envolvendo a tentativa do BRB de assumir o Banco Master.
O pano de fundo do caso é a ofensiva das autoridades sobre estruturas financeiras ligadas à Reag e ao Master. A Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraude, lavagem de dinheiro e ocultação de riscos em fundos usados em operações consideradas atípicas.
Em janeiro de 2026, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da CBSF DTVM, novo nome da Reag Trust DTVM.
Nesse mesmo ambiente, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master e tentou comprar a instituição, mas a operação foi barrada pelo Banco Central.
Desde então, o banco distrital tenta recuperar os recursos e recompor o caixa após o agravamento da crise.
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