InícioParáMPF recomenda afastamento de diretora por racismo contra indígenas em escola de...

MPF recomenda afastamento de diretora por racismo contra indígenas em escola de Santarém

MPF apura racismo contra indígenas em escola e cobra afastamento de diretora e medidas da Semed.

Publicado em

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou o afastamento imediato da diretora da Escola Municipal São Miguel, em Santarém (PA), após denúncias de racismo institucional e atos discriminatórios contra indígenas Munduruku da aldeia Pau D’arco. Segundo o órgão, investigações apontam que a gestora utilizou linguagem pejorativa, ameaçou lideranças e alunos indígenas, tentou demitir um pedagogo por envolvimento com movimentos étnicos e dificultou o acesso da comunidade a recursos escolares.

O documento, assinado pelo procurador da República Vítor Vieira Alves, destaca episódios como ameaças de expulsão da escola, impedimento de falas em reuniões sob intimidação policial e declarações preconceituosas contra crianças indígenas. A diretora teria dito, por exemplo, que os alunos iriam “andar nus” por se declararem indígenas e que “deveriam procurar outro território”. O MPF também apontou omissão da Secretaria Municipal de Educação (Semed), que não apurou as denúncias nem tomou medidas para conter os abusos.

Além do afastamento e da instauração de processo disciplinar, o MPF recomendou a criação de uma comissão de igualdade racial na educação, a realização de campanha de combate ao racismo nas aldeias, uma reunião com entidades indígenas e um ato público de desagravo à comunidade Munduruku. O órgão também lembrou que a mesma gestão escolar já foi alvo de apurações por racismo institucional contra estudantes quilombolas da comunidade Patos do Ituqui.

A recomendação, instrumento extrajudicial utilizado pelo Ministério Público, busca a correção imediata de condutas ilegais por parte de agentes públicos. Embora não tenha caráter obrigatório, seu descumprimento pode resultar em ações judiciais cíveis ou penais. O MPF alertou que o racismo em ambiente escolar compromete o direito à educação em condições igualitárias e afeta gravemente a autoestima e o rendimento de crianças indígenas, violando o Estatuto da Criança e do Adolescente.

spot_img

Últimos Artigos

Campanhas majoritárias em Roraima poderão movimentar até R$ 11,7 milhões nas eleições de 2026

As campanhas para os cargos majoritários em Roraima poderão movimentar até R$ 11.690.906,23 nas...

AgroBV 2026 terá Fazendinha Kids três vezes maior e construída com técnica indígena

A edição 2026 da AgroBV, considerada a maior feira da agricultura de Roraima, contará...

Helena da Asatur visita obras do Minha Casa, Minha Vida no bairro Centenário

A deputada federal Helena da Asatur (PSD-RR) visitou, nesta terça-feira (21), as obras do...

Prefeitura amplia revitalização de praças e inicia cobertura de quadras em Boa Vista

A Prefeitura de Boa Vista segue com os investimentos na revitalização e modernização dos...

Mais como este

Campanhas majoritárias em Roraima poderão movimentar até R$ 11,7 milhões nas eleições de 2026

As campanhas para os cargos majoritários em Roraima poderão movimentar até R$ 11.690.906,23 nas...

AgroBV 2026 terá Fazendinha Kids três vezes maior e construída com técnica indígena

A edição 2026 da AgroBV, considerada a maior feira da agricultura de Roraima, contará...

Helena da Asatur visita obras do Minha Casa, Minha Vida no bairro Centenário

A deputada federal Helena da Asatur (PSD-RR) visitou, nesta terça-feira (21), as obras do...