A Polícia Civil de Roraima (PCRR) prendeu preventivamente, na manhã desta quarta-feira (28), o ex-senador Telmário Mota, de 68 anos, réu em uma ação penal que investiga o assassinato de Antônia Araújo de Sousa, de 52 anos. A prisão ocorreu na Fazenda Caçada Real, localizada na zona rural de Boa Vista.
O mandado foi cumprido por agentes da Delegacia Geral de Homicídios (DGH), sob coordenação do delegado Thiago Alexandre. O ex-parlamentar não ofereceu resistência e foi encaminhado à unidade policial para os procedimentos legais.
A nova ordem de prisão preventiva foi expedida pela Justiça em 22 de outubro, dois dias depois de o juízo responsável pelo processo rejeitar um pedido da defesa para revogar a prisão ou substituí-la por outras medidas cautelares.
Os advogados alegaram agravamento do estado de saúde do acusado. Entretanto, a Justiça considerou que a condição apresentada não afastava os fundamentos da prisão preventiva, entre eles a garantia da ordem pública e a conveniência da instrução criminal.
Mulher foi assassinada ao sair de casa
Antônia Araújo de Sousa foi morta na manhã de 29 de setembro de 2023, no bairro Senador Hélio Campos, em Boa Vista.
Segundo as investigações, a vítima deixava sua residência quando um homem em uma motocicleta se aproximou, chamou-a pelo nome e confirmou sua identidade. Em seguida, o criminoso efetuou um disparo na cabeça da mulher e fugiu.
A Polícia Civil iniciou diligências para identificar os envolvidos e esclarecer as circunstâncias do homicídio.
Em 30 de outubro daquele ano, a corporação deflagrou a Operação Caçada Real, que resultou no cumprimento de mandados judiciais relacionados ao assassinato.
Investigação apontou ex-senador como suspeito de ordenar o crime
Durante as apurações, os investigadores identificaram indícios de planejamento e divisão de tarefas entre os suspeitos.
O ex-senador Telmário Mota foi apontado como possível mandante do assassinato. Seu sobrinho, H.N.C.M., teria participado da organização logística e do planejamento, enquanto L.L.C. foi identificado como suspeito de executar o disparo que matou Antônia.
Uma assessora do ex-parlamentar, identificada pelas iniciais C.G.C., também passou a ser investigada por suspeita de acompanhar os movimentos da vítima e transmitir informações aos demais envolvidos.
Conforme a Polícia Civil, a Fazenda Caçada Real teria sido utilizada para encontros e preparativos relacionados ao homicídio.
As investigações também apontaram que a motocicleta supostamente utilizada pelo executor teria sido comprada por um familiar do ex-senador e posteriormente entregue a outros investigados.
Polícia investigou possível relação com denúncia de violência sexual
Outro aspecto analisado pelos investigadores foi a existência de um processo criminal anterior envolvendo a filha de Antônia.
A jovem havia acusado o próprio pai de violência sexual. Segundo informações divulgadas durante a investigação, Antônia deveria prestar depoimento nesse processo poucos dias depois da data em que foi assassinada.
A Polícia Civil passou a apurar se havia alguma relação entre o processo anterior e a motivação do homicídio.
Ex-senador será apresentado à Justiça
Após o cumprimento do mandado, o ex-parlamentar foi conduzido à Delegacia Geral de Homicídios, onde foram realizados os procedimentos referentes à prisão.
Conforme a Polícia Civil, ele deverá passar por audiência de custódia ainda nesta quarta-feira (28), em cumprimento à determinação judicial.
O ex-senador responde à ação penal por homicídio qualificado, e a prisão preventiva não representa condenação definitiva pelo crime.

