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Em ataque de fúria, conservador que quer governar o Pará intimida, humilha e ofende delegado e coronel

Confusão começou após ação policial em posto onde veículos seriam abastecidos para carreata do candidato

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O candidato ao Governo do Pará e ex-prefeito de Ananindeua, Daniel Santos (Podemos), em um ataque de fúria, chamou de “vagabundos” um delegado e um coronel durante uma discussão na Seccional Urbana da Cidade Nova, em Ananindeua. O episódio, registrado em vídeo e divulgado neste domingo, 6, ocorreu após uma operação policial em um posto de combustíveis onde veículos seriam abastecidos para participar de uma carreata ligada à campanha do candidato.

Em ataque de fúria, conservador que quer governar o Pará humilha e ofende delegado e coronel

A confusão começou no sábado, 5, quando policiais foram até o estabelecimento para apurar as circunstâncias do abastecimento de veículos que participariam do ato político. Durante a ação, funcionários do posto foram conduzidos à delegacia e equipamentos e documentos relacionados ao controle dos abastecimentos foram apreendidos.

Entre os materiais encontrados estaria uma relação identificada como “Controle de veículos – Carreata – Ananindeua”, com informações sobre os automóveis que poderiam ser abastecidos. Uma CPU que armazenaria registros relacionados aos veículos também foi apreendida.

A apuração busca esclarecer a origem dos recursos utilizados para pagar pelo combustível, quem organizou a operação de abastecimento e se houve alguma irregularidade relacionada à campanha eleitoral.

Até o momento, no entanto, não há conclusão definitiva da investigação atribuindo a Daniel Santos ou à campanha responsabilidade por eventual ilícito eleitoral.

Funcionários são levados à delegacia

Após a ação no posto, quatro funcionários, entre eles o gerente do estabelecimento e frentistas, foram levados à unidade policial.

A operação provocou reação imediata de aliados de Daniel. O grupo sustenta que o abastecimento estava relacionado à organização de uma carreata e acusa as forças de segurança de terem agido de maneira desproporcional.

O prefeito de Ananindeua, Hugo Atayde, também criticou a abordagem e afirmou que a realização da carreata havia sido previamente comunicada às autoridades. Segundo ele, houve utilização de spray de pimenta durante a ação policial, inclusive contra pessoas que acompanhavam a movimentação.

Atayde anunciou que pretende levar o episódio às corregedorias das polícias Civil e Militar para que a conduta dos agentes seja apurada.

Daniel vai à delegacia e chama autoridades de “vagabundos”

A confusão ganhou uma nova dimensão quando Daniel Santos compareceu à Seccional Urbana da Cidade Nova após a operação.

Em vídeo gravado dentro da unidade policial, o candidato aparece exaltado enquanto procura identificar as autoridades que teriam participado da ação.

“Quero saber quem é o delegado Ricardo e o coronel Tabaranã. Quero saber quem são esses dois vagabundos”, afirma Daniel durante a discussão.

A gravação passou a circular nas redes sociais neste domingo e ampliou a repercussão política do episódio.

Daniel e seus aliados sustentam que a operação teve motivação política. Durante as manifestações posteriores à abordagem, o candidato também afirmou que os policiais deveriam estar nas ruas combatendo criminosos, em vez de atuar contra pessoas envolvidas na mobilização eleitoral.

Do outro lado, a ação policial teve como objetivo apurar as circunstâncias do abastecimento dos veículos e a eventual existência de irregularidades.

Clube de Oficiais da PM repudia ofensas

Após a repercussão do episódio, o Clube de Oficiais da Polícia Militar do Pará (COPM) divulgou uma nota de repúdio em defesa dos policiais que estavam de serviço. A entidade não cita nominalmente Daniel Santos, mas condena manifestações que desrespeitem, ofendam ou menosprezem policiais e outros servidores públicos no exercício de suas funções.

O COPM classificou como “inadmissível” que profissionais responsáveis pela preservação da ordem pública sejam alvo de palavras ofensivas durante o atendimento de uma ocorrência e afirmou que divergências, inclusive políticas, não devem afastar o respeito aos agentes públicos e às instituições.

Leia a nota na íntegra:

NOTA DE REPÚDIO

O Clube de Oficiais da Polícia Militar do Pará (COPM) manifesta seu veemente repúdio a qualquer manifestação que desrespeite, ofenda ou menospreze policiais militares e demais servidores públicos que estejam no legítimo cumprimento de suas funções.

É inadmissível que profissionais honrados, que diariamente dedicam suas vidas à preservação da ordem pública e à proteção da sociedade paraense, sejam alvo de palavras ofensivas, especialmente durante o atendimento de uma ocorrência.

Independentemente de posicionamentos políticos ou divergências de qualquer natureza, o respeito aos agentes públicos e às instituições que servem à sociedade deve ser princípio fundamental em uma democracia.

O COPM reafirma sua solidariedade aos policiais que estavam de serviço e reforça seu compromisso com a valorização, a dignidade e o respeito àqueles que honram a farda e cumprem, com dedicação, a missão de proteger e servir.

“Respeito à Polícia Militar é respeito à sociedade.”

Declaração ocorre após defesa da valorização policial

A fala de Daniel também chamou atenção pela proximidade com uma manifestação feita pelo próprio candidato em defesa das forças de segurança.

Um dia antes do episódio na delegacia, Daniel havia publicado nas redes sociais uma mensagem defendendo a valorização dos profissionais da segurança pública.

A sequência dos acontecimentos colocou as duas manifestações em contraste: de um lado, o discurso público de valorização dos policiais; de outro, o vídeo em que o candidato utiliza o termo “vagabundos” ao se referir ao delegado e ao coronel que teriam participado da operação.

O caso ocorre em meio à campanha pelo Governo do Pará e deve ter novos desdobramentos tanto na esfera policial quanto eleitoral, à medida que forem esclarecidos a origem dos recursos usados no abastecimento, a organização da carreata e as circunstâncias da abordagem realizada no posto.

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