A ponte sobre o Rio Tocantins, localizada na BR-235 entre os municípios de Pedro Afonso e Tupirama, no Tocantins, terá de ser totalmente reconstruída após um laudo técnico confirmar que a estrutura sofreu danos irreversíveis. A decisão foi anunciada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), com base em relatório concluído nesta sexta-feira (17), encerrando qualquer possibilidade de recuperação da obra inaugurada em dezembro de 2007.
De acordo com o laudo, o concreto das fundações apresenta graves patologias químicas, como a reação álcali-agregado e a formação de etringita tardia. Esses processos comprometem permanentemente a resistência da estrutura, tornando inviável qualquer intervenção de recuperação.
Segundo o Dnit, a decisão segue os critérios estabelecidos pelo Programa de Reabilitação de Obras de Arte Especiais (Proarte), que determina a substituição completa de estruturas quando os danos comprometem sua segurança e funcionalidade.
Obra custou R$ 92,7 milhões
Batizada oficialmente de Ponte Prefeito Leôncio Miranda, a estrutura recebeu investimentos de aproximadamente R$ 92,7 milhões em uma parceria entre os governos estadual e federal.
Conforme registros do Governo do Tocantins, o Estado aplicou R$ 30 milhões no início da construção, em 2005, e outros R$ 30 milhões no ano seguinte. A União financiou o restante dos recursos necessários para a execução da obra, integrante da rodovia federal BR-235.
A ponte foi construída durante a gestão do então governador Marcelo Miranda (MDB) para substituir a travessia por balsas e reduzir os custos logísticos da produção agrícola da região. À época, a soja produzida no entorno representava cerca de 20% da produção estadual.
Com 1.060 metros de extensão e sustentada por 24 pilares, a ponte era considerada a maior do Tocantins quando foi inaugurada. Além de facilitar o escoamento de grãos destinados aos mercados nacional e internacional, a estrutura conecta o Tocantins aos estados do Pará e Maranhão.
Interdição começou em maio
Os problemas estruturais da ponte se agravaram nos últimos meses, culminando na interdição total da travessia.
No dia 21 de maio, o Dnit bloqueou completamente o tráfego após inspeções identificarem falhas nos pilares. Inicialmente, apenas veículos com mais de quatro toneladas estavam proibidos de circular, mas a medida foi ampliada por questões de segurança.
Quatro dias depois, em 25 de maio, o Governo do Tocantins autorizou uma operação emergencial para restabelecer a travessia por balsas entre Pedro Afonso e Tupirama, buscando reduzir os impactos econômicos e logísticos.
Em 26 de maio, a Prefeitura de Pedro Afonso decretou situação de emergência por 180 dias devido aos prejuízos causados ao abastecimento e ao transporte da produção agroindustrial da região do Matopiba.
Já em 8 de julho, o Dnit realizou testes de carga extrema na estrutura. Caminhões que somavam 360 toneladas foram posicionados sobre a ponte, enquanto sensores monitoravam o comportamento da construção. Os equipamentos identificaram deformações permanentes, indicando que a estrutura não retornou à posição original após a retirada da carga.
O diagnóstico definitivo foi apresentado em 17 de julho, com apoio técnico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), confirmando que os danos são irreversíveis e que a única solução técnica é a reconstrução completa da ponte. Até que uma nova estrutura seja construída, a travessia permanecerá totalmente interditada.

