O deputado federal Gabriel Mota (Republicanos) validou as fichas de frequência da esposa do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, enquanto ela estava lotada como secretária parlamentar em seu gabinete na Câmara dos Deputados, em 2023.
Servidora à época, Thallys Mendes dos Santos de Jesus, é estudante de medicina em turno diurno e não aparecia no gabinete, segundo funcionários que atuavam na equipe do deputado. Ela recebeu remuneração de R$ 12.139,40 e permaneceu no cargo de março a agosto daquele ano. A exoneração ocorreu após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelar o caso.
De acordo com documentos obtidos pelo portal Metrópoles, as frequências mensais da servidora foram “atestadas integralmente pelo parlamentar, sem registros de faltas, impontualidades, licenças ou afastamentos”. A servidora chegou a ter crachá funcional com validade prevista até 2027.
Thallys foi nomeada após Jhonatan de Jesus deixar a Câmara para assumir vaga de ministro do TCU no início de 2023, momento em que o suplente Gabriel Mota assumiu a cadeira. No período, servidores do gabinete afirmaram não conhecer a secretária parlamentar.
O cargo de secretária parlamentar é comissionado e possui jornada semanal de 40 horas, conforme o Ato da Mesa nº 72/1997. Não há controle de ponto biométrico ou folha individual. A frequência é registrada mensalmente e depende de atesto do deputado ou servidor designado. No caso, quem validou foi o próprio Gabriel Mota.
A Câmara dos Deputados informou que não foram instaurados inquérito preliminar, sindicância ou Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar o caso.
Deputado afirmou que ex-servidora atuava em atividades externas
Gabriel Mota declarou que a ex-servidora atuava em atividades externas acompanhando compromissos institucionais e que, por isso, não permanecia no gabinete. O deputado afirmou que a nomeação seguiu parâmetros legais. O ministro e sua esposa não se manifestaram até a publicação.
Saiba mais:
Acesse o nosso perfil no Instagram


