A deputada federal indígena Célia Xakriabá (PSOL-MG) denunciou ter sofrido ofensas do deputado federal Delegado Caveira (PL-PA), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante uma sessão na Câmara dos Deputados. Segundo a parlamentar, Caveira ordenou que ela se calasse e afirmou que ela vinha do “lado dos demônios”.
Célia reagiu às declarações e afirmou que não aceitará intimidações ou desrespeito à sua identidade e à população indígena que representa no Congresso Nacional. Ela publicou um vídeo do momento nas redes sociais.
“Não vou aceitar que tentem me intimidar ou desrespeitar quem eu sou, minha história e os povos que represento”, declarou.
A deputada, que também é professora, destacou que possui o mesmo direito de manifestação dos demais integrantes da Câmara e relacionou o episódio às tentativas de impedir a participação de mulheres indígenas nos espaços políticos.
“Quando tentam silenciar uma mulher indígena, não é só a minha voz que tentam calar. É uma história inteira de resistência”, afirmou.
Parlamentares criticam atitude de Caveira
A denúncia provocou manifestações de solidariedade de outros deputados federais durante a sessão.
O deputado Dorinaldo Malafaia saiu em defesa de Célia Xakriabá e criticou as declarações atribuídas ao parlamentar paraense.
“Eu quero me solidarizar com a deputada Célia Xakriabá, uma grande representante do parlamento brasileiro, uma mulher indígena que representa os povos originários de forma grandiosa aqui nesse parlamento, tendo que ser ofendida por um deputado que só lança ódio, que só fala bobagens, grosserias”, declarou.
A deputada federal Erika Kokay também se manifestou contra a conduta relatada pela parlamentar indígena. Ela afirmou que divergências políticas não justificam tentativas de impedir outro integrante do Congresso de se pronunciar.
“Porque um parlamentar não pode se dirigir a uma parlamentar, uma representante dos povos indígenas nesta casa, que nós temos muita alegria de contar com o seu mandato, deputada Célia, e mandar ela calar a boca, simplesmente porque ele não concorda com o que ela está falando”, afirmou Kokay.
A deputada também criticou o que classificou como uma postura de truculência no debate político, em oposição ao diálogo entre os representantes eleitos.
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