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Slogan de pré-candidato contrasta com prisão pela PF e investigação sobre supostas fraudes em Roraima

Expressão escolhida por Masamy Eda para a pré-campanha remete à ideia de ausência de ganância, mas histórico recente inclui prisão em flagrante, pagamento de fiança e investigação da Polícia Federal

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Ao lançar sua pré-candidatura a deputado estadual por Roraima, o ex-deputado estadual Masamy Eda decidiu apostar em uma mensagem simples para se apresentar ao eleitorado: “O único que não olho grande, podemos confiar”.

A frase, utilizada como slogan político, busca transmitir uma imagem de honestidade, desapego e confiabilidade. No entanto, a escolha da mensagem chama atenção por ocorrer poucos meses após o ex-parlamentar ter sido preso em flagrante pela Polícia Federal durante uma investigação sobre supostas fraudes em contratos públicos, em um episódio que ganhou ampla repercussão no estado.

Embora o slogan não faça referência direta às investigações, o contraste entre o discurso de campanha e os fatos públicos envolvendo o pré-candidato tende a despertar questionamentos sobre a estratégia de comunicação adotada.

“Olho grande”

No Brasil, a expressão popular “olho grande” possui diferentes significados, mas é amplamente utilizada para designar alguém movido pela cobiça, pela ganância ou pelo desejo excessivo de obter vantagens materiais ou poder. Em alguns contextos, também pode estar relacionada ao chamado “mau-olhado”, ligado a crenças populares.

No ambiente político, porém, o termo costuma ser empregado como crítica a comportamentos associados à ambição desmedida, à busca por benefícios pessoais ou ao uso indevido da função pública.

Ao afirmar ser “o único que não olho grande”, a campanha de Masamy Eda procura associar sua imagem justamente ao oposto desses atributos, sugerindo que seria um candidato digno da confiança do eleitor.

Prisão em flagrante durante operação da PF

O histórico recente do ex-parlamentar, entretanto, contrasta com a mensagem escolhida para a campanha.

Em janeiro deste ano, Masamy Eda foi preso em flagrante pela Polícia Federal durante o cumprimento de mandados judiciais relacionados a uma investigação que apura supostas irregularidades em contratos de fornecimento de merenda escolar à Secretaria de Educação e Desporto de Roraima (Seed).

De acordo com a Polícia Federal, a prisão ocorreu após os investigadores apontarem uma suposta tentativa de destruição de provas durante as buscas realizadas na residência do ex-deputado.

Segundo informações divulgadas na época, agentes encontraram documentos sendo fragmentados e lançados no vaso sanitário, circunstância que fundamentou a prisão em flagrante por suposta tentativa de impedir a produção de provas no curso da investigação.

A defesa do ex-parlamentar contestou a versão apresentada pela Polícia Federal.

Liberdade após pagamento de fiança

Pouco tempo depois da prisão, Masamy Eda foi colocado em liberdade mediante pagamento de fiança fixada em aproximadamente R$ 154 mil.

A concessão da liberdade provisória não representa absolvição nem encerra a investigação, servindo apenas para permitir que o investigado responda ao procedimento fora do sistema prisional, mediante o cumprimento das condições impostas pela Justiça.

Até o momento, não há notícia de condenação definitiva relacionada aos fatos investigados.

Discurso político e percepção do eleitor

Na comunicação eleitoral, slogans têm a função de sintetizar valores, posicionamentos e atributos que o candidato deseja associar à própria imagem.

No caso de Masamy Eda, a opção por enfatizar que seria alguém “sem olho grande” ocorre justamente após um episódio em que seu nome passou a figurar em uma investigação criminal de grande repercussão em Roraima.

Embora a legislação brasileira assegure a presunção de inocência até o trânsito em julgado de eventual condenação, também é natural que o eleitor confronte o discurso apresentado na propaganda eleitoral com o histórico público dos candidatos.

Nesse contexto, o slogan adotado pelo ex-deputado acaba estabelecendo um contraste direto entre a narrativa construída para a campanha e os fatos já conhecidos do eleitorado, tornando inevitável que a mensagem seja interpretada à luz das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Espaço aberto

O Portal O FATO deixa espaço aberto para manifestação de Masamy Eda e de sua defesa sobre o conteúdo desta reportagem. Caso haja posicionamento, a matéria será atualizada.

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