A Polícia Civil do Pará cumpriu, na segunda-feira (23), mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra um ex-militar das Forças Armadas, investigado por tráfico de pessoas, falsificação de documento público e uso de documento falso. A ação, denominada Operação Origem, foi conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), vinculada à Divisão de Atendimento ao Adolescente (DATA), com apoio do Grupo de Trabalho de Vulneráveis (GTV) e do Núcleo de Inteligência Policial (NIP).
Segundo a corporação, as investigações indicam que o investigado obteve acesso a uma Declaração de Nascido Vivo (DNV) extraviada e a utilizou para registrar, de maneira fraudulenta, um recém-nascido com identidade diversa. O documento permitiu a emissão de uma certidão de nascimento em que a criança foi registrada como filha do suspeito e de uma mulher — a verdadeira genitora do bebê — cuja DNV havia sido perdida.
A mãe, que deu à luz em agosto de 2025, só descobriu a fraude ao tentar emitir a segunda via da DNV e registrar o filho. No cartório, constatou que o registro já havia sido realizado anteriormente. A análise dos documentos encaminhados mostrou que o primeiro registro foi feito mediante a apresentação de um documento de identidade com o nome da genitora, porém com fotografia incompatível. Perícias confirmaram que o material utilizado no registro inicial era falsificado.
A delegada Marília Marchiori, titular da DPCA, destacou que o caso aponta para condutas mais graves do que a falsificação documental.
“Os fatos apurados sugerem possível tráfico de pessoas na modalidade de adoção ilegal, já que a criança foi registrada com dados de uma DNV pertencente a outro bebê e com paternidade divergente da verificada na maternidade”, afirmou.
Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores constataram ainda que o bebê registrado como filho do ex-militar não estava com a família, que disse desconhecer a existência da criança. O suspeito alegou ter encontrado uma pasta com documentos da mãe legítima e a DNV na rua e que teria realizado o registro apenas para solicitar auxílio natalidade, sustentando que o bebê “jamais existiu”.
O homem possui antecedentes por falsificação de documentos de veículos e cumpre pena em regime aberto por esses crimes. Na operação, seu aparelho celular foi apreendido. Ele foi interrogado e segue à disposição da Justiça.
As investigações continuam para localizar a criança, esclarecer sua real origem e identificar possíveis coautores do esquema. Informações que possam contribuir com as apurações podem ser encaminhadas ao Disque-Denúncia, pelo número 181, com garantia de sigilo.


