Um laudo da Polícia Federal anexado a um inquérito sobre suspeita de corrupção eleitoral em Manaus aponta que Gabriel Alexandre da Silva Lima, genro do prefeito David Almeida, aparece em conversas que tratam de repasse de dinheiro e articulação de apoio político com lideranças religiosas durante as eleições municipais de 2024. Conforme divulgado pelo G1 Amazonas, o documento reúne análises feitas a partir de celulares apreendidos no curso da investigação.
A apuração teve início após uma denúncia de possível compra de votos envolvendo pastores convocados para uma reunião em um minicentro de convenções da Igreja Pentecostal Unida do Brasil, no bairro Monte das Oliveiras. A ação da Polícia Federal ocorreu em 26 de outubro de 2024, véspera do segundo turno da eleição municipal em Manaus.
Durante a operação, policiais encontraram envelopes contendo R$ 21.650 em dinheiro dentro de uma sala do local. De acordo com o inquérito, líderes religiosos informaram que o valor fazia parte de um total de R$ 38 mil recebido na noite anterior de uma pessoa ligada à campanha, identificada apenas como “Eliezer”.
A partir da apreensão de celulares de pessoas envolvidas na reunião, a Polícia Federal realizou a extração e análise dos dados armazenados nos aparelhos. Ao todo, quatro telefones foram periciados, com recuperação de mensagens, áudios, fotos e vídeos utilizados pelos investigadores para reconstruir as conversas relacionadas ao caso.
Em um dos aparelhos, atribuído ao pastor Flaviano Negreiros, dirigente da igreja, os peritos localizaram conversas com um contato salvo como “Gabriel Davi Almeida”, identificado no laudo como o genro do prefeito de Manaus. As mensagens incluem diálogos sobre articulação política e pedidos de apoio junto a líderes religiosos.
Parte do material analisado menciona valores que seriam destinados a pastores e obreiros. Em um dos áudios transcritos pela perícia, um interlocutor solicita o envio de R$ 80 mil. Para os investigadores, o montante seria dividido entre lideranças religiosas como forma de incentivar apoio eleitoral durante o segundo turno.
A perícia também cita mensagens relacionadas à divulgação do número do candidato apoiado na disputa. Em um dos trechos recuperados, um investigado relata que Gabriel teria solicitado a pastores que compartilhassem o número “70” em grupos e redes sociais, com o objetivo de ampliar a propaganda eleitoral entre fiéis.
O laudo registra ainda a troca frequente de mensagens, áudios e arquivos entre Gabriel e dirigentes da igreja. Os investigadores também mencionam um encontro em uma cafeteria na zona oeste de Manaus, onde teriam sido discutidos temas como quantidade de membros das congregações, apoio político e possíveis pagamentos vinculados à campanha.
Durante a operação policial, dois dirigentes da igreja foram presos em flagrante, mas foram liberados após pagamento de fiança de R$ 15 mil cada. Ambos respondem ao processo em liberdade enquanto o inquérito segue em andamento.
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