Autoridades do Ministério Público do Pará afirmam que dois delegados da Polícia Civil do estado teriam atuado para um grupo acusado de fraudar empréstimos em instituições financeiras e obter vantagens indevidas estimadas em R$ 25,8 milhões.
A Promotoria aponta que o delegado Arthur Afonso Nobre de Araújo teria recebido oferta de R$ 485 mil em propina, dos quais R$ 150 mil teriam sido efetivamente pagos para que ele utilizasse o cargo em benefício do grupo. O relatório também menciona a participação do delegado Carlos Daniel Fernandes de Castro, que era diretor metropolitano da Polícia Civil.
Segundo apuração da Folha de S. Paulo, as informações constam em relatório de 552 páginas do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do Pará.
A investigação levou ao afastamento dos dois delegados, além do promotor de Justiça Luiz Márcio Teixeira Cypriano, por decisão judicial. O MP obteve autorização para quebra de sigilos e cumprimento de mandados de busca e apreensão.
Mensagens e atuação para o grupo
De acordo com o MP, o esquema consistia na falsificação de documentos e uso irregular de imóveis como garantia para obtenção de empréstimos, com posterior desvio dos recursos. As fraudes são atribuídas ao investigado Diego Kos Miranda, apontado como principal articulador.
O relatório descreve instrumentos utilizados para favorecer o grupo, como a instauração de inquérito fora da competência da delegacia e supostas tentativas de constranger outros agentes públicos considerados obstáculos.
Mensagens anexadas à apuração mostram conversas entre Arthur e Carlos Daniel em abril de 2023, quando discutiram o paradeiro do investigado e mencionaram acertos financeiros. Em um trecho, Arthur escreveu que os dois teriam levado uma “canelada”, expressão que o MP afirma ser usada quando policiais não recebem o valor combinado. Em seguida, complementou: “Ganhamos bem também desse fdp”.
Defesas
A defesa de Arthur afirmou que se manifestará nos autos após ter acesso integral ao processo. A defesa de Carlos Daniel disse que ele não é denunciado no caso específico das fraudes e que as menções ainda serão analisadas. A defesa do promotor afastado alegou não ter obtido acesso às provas.
O Ministério Público afirmou que a investigação busca responsabilizar todos os envolvidos, independentemente da posição hierárquica. A Polícia Civil declarou que instaurou procedimento disciplinar e afastou os delegados tão logo foi notificada. O TJ do Pará informou que não comenta investigações em andamento.
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