O ministro do Tribunal de Contas da União Jhonatan de Jesus atua como relator do processo que tenta suspender a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central. Antes de assumir o cargo no Tribunal, Jonathan exerceu quatro mandatos como deputado federal.
Jonathan é filho do senador Mecias de Jesus, do Republicanos. Pai e filho foram investigados pelo Ministério Público Eleitoral em 2022 por suspeita de compra de votos em Rorainópolis, em Roraima, envolvendo distribuição de cestas básicas no período pré-eleitoral. Em 2024, a Polícia Federal apreendeu dinheiro em espécie com o senador em Alto Alegre dias antes da eleição suplementar do município, sob suspeita de uso eleitoral dos valores.
Desvid-19 e emendas Pix
Entre 2020 e 2021, a Operação Desvid-19 investigou irregularidades na área da saúde em Roraima e citou integrantes da família em delações envolvendo recursos da pandemia. Emendas parlamentares destinadas por Jonathan e por seu pai a municípios de pequeno porte foram objeto de auditorias da Controladoria-Geral da União e suspensões judiciais relacionadas às transferências via emendas Pix. Recursos do Programa Calha Norte, do Ministério da Defesa, também entraram em auditoria no TCU sob relatoria do ministro.
Em 2025, uma operação da Polícia Federal contra fraudes no INSS apreendeu uma BMW X1 registrada no nome da esposa de Jonathan. O veículo estava na garagem do filho de um ex-servidor investigado.
No caso envolvendo o Banco Master, Jonathan determinou a suspensão de uma inspeção técnica da Secretaria de Controle Externo prevista no procedimento e encaminhou o processo para julgamento no plenário. A medida ocorreu em caráter monocrático. Com isso, o TCU passou a analisar se tem competência para interferir em atos de supervisão prudencial conduzidos pelo Banco Central.
Após a decisão, os controladores do banco passaram a citar a existência do processo no TCU em disputas no exterior para argumentar que a liquidação poderia ser revertida.
Banco Master
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após identificar riscos operacionais e financeiros. Com a liquidação, a administração passa para um liquidante responsável por levantar ativos e organizar o pagamento dos credores.
Nos Estados Unidos, o Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida reconheceu a liquidação decretada no Brasil e bloqueou ativos ligados ao banco. A decisão também autorizou o liquidante a obter documentos, colher depoimentos e rastrear patrimônio em território americano.
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