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Vereadores de Boa Vista “rasparam” R$ 8,6 milhões do ‘cotão’ em nove meses; saiba quem lidera a lista

Levantamento aponta uso recorrente do teto de R$ 40 mil por gabinete, gastos concentrados em consultorias e falhas de transparência

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Os vereadores da Câmara Municipal de Boa Vista (CMBV) gastaram, aproximadamente, R$ 8,6 milhões da Verba Indenizatória, o famoso e cobiçado “cotão”, entre janeiro e setembro de 2025. O levantamento leva em consideração dados oficiais do Portal da Transparência da Casa Legislativa.

Conforme raspagem de dados realizado pelo  O Fato, a conta considera o total pago mês a mês a cada parlamentar, com base no teto de R$ 40 mil por gabinete. Na prática, a maioria absoluta dos vereadores utilizou o limite integral ou valores muito próximos disso durante todo o período analisado.

Em 9 meses, o gasto mensal da Casa girou, em média, entre R$ 900 mil e R$ 1 milhão, com picos em meses como fevereiro, março, abril e maio, quando a maioria dos parlamentares recebeu o valor integral. 

O padrão se repete ao longo do ano com uso constante do teto, pouca variação entre meses e concentração dos gastos em poucos tipos de serviço.

Maiores gastos

No recorte individual, nomes como Adjalma Gonçalves, Bruno Perez, Deyvid Carneiro e Ítalo Otávio Teixeira Pinto atingiram R$ 40 mil em todos os nove meses, somando R$ 360 mil cada no período. Já Thiago Coelho Fogaça ficou praticamente no mesmo nível, com pequenas variações, mas sempre encostado no teto.

Os dados também mostram que, mesmo quando o total declarado ultrapassa o limite, como nos casos recorrentes de Bárbara Ribeiro Falcão, com registros de até R$ 41,5 mil em um mês, o pagamento permanece travado nos R$ 40 mil definidos por lei.

A principal despesa dos gabinetes e que se repete ao longo de todo o ano foi com consultoria e assessoria jurídica, frequentemente, no valor máximo permitido de R$ 15 mil mensais. Em seguida, aparecem gastos com assessoria de comunicação, contabilidade e divulgação institucional e locação de imóveis que completam o uso integral da verba.

Falta de dados

Durante a apuração, a equipe de jornalismo do O Fato identificou que os dados de outubro e novembro de 2025 não estavam disponíveis para acesso no Portal da Transparência da CMRR. O mês de dezembro também não havia sido inserido no sistema, o que impede a sequência mensal necessária para determinar com exatidão os gastos do ano.

Sem essas informações, não é possível fechar o total executado em 2025. Ainda assim, com base no padrão identificado entre janeiro e setembro, marcado pelo uso recorrente do teto de R$ 40 mil por gabinete, a projeção indica que o volume pode ultrapassar R$ 11 milhões caso o ritmo de despesas seja mantido nos últimos meses.

Ranking dos vereadores

🥇 Primeiro Lugar

Adjalma Gonçalves – R$ 360.000,00

Bruno Perez – R$ 360.000,00

Deyvid Carneiro – R$ 360.000,00

Ítalo Otávio – R$ 360.000,00

Júlio Cezar Medeiros – R$ 360.000,00

Moacival Daniel Mangabeira – R$ 360.000,00

🥈 Segundo Lugar

Thiago Coelho Fogaça – R$ 359.949,36

🥉 Terceiro Lugar

Adnan Lima – R$ 359.808,62

Thiago Saraiva – R$ 359.586,04

Tuti Lopes – R$ 359.500,00

Jeusivânia Pereira Nunes – R$ 359.252,58

Genilson Costa – R$ 359.008,18

Pastora Carla Messias – R$ 358.540,05

Marcelo Nunes – R$ 358.735,00

10º  Carol Dantas – R$ 357.400,00

11º Thiago Reis  – R$ 351.500,00

12º Aderval da Rocha Ferreira Filho – R$ 349.536,51

13º Walkiria Ribeiro – R$ 346.933,50

13º Manoel Neves – R$ 345.169,00

Teatro das Sombras 

Em novembro de 2025, a Polícia Federal, em ação conjunta com o Ministério Público de Roraima (MPRR), deflagrou a Operação Teatro das Sombras, voltada a desarticular um esquema de desvio de recursos das verbas indenizatórias da Câmara Municipal de Boa Vista.

Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e determinadas medidas de bloqueio de bens dos investigados, conforme decisão judicial.

De acordo com a investigação, as fraudes teriam ocorrido entre 2022 e 2023, causando prejuízo superior a R$ 1,3 milhão aos cofres públicos. As apurações apontam o uso de notas fiscais canceladas e contratos simulados para justificar despesas que não foram realizadas.

Os investigadores também identificaram indícios de que valores destinados ao aluguel de escritórios parlamentares eram desviados para empreendimentos privados, mediante a simulação do funcionamento dos gabinetes.

Os envolvidos poderão responder por peculato, falsidade ideológica e associação criminosa.

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