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Defensor critica abordagem de Sargento Salazar após vídeo em ocupação indígena

Vereador gravou vídeo em ocupação indígena, classificou moradores como invasores e cobrou ação das forças de segurança

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O defensor público Carlos Almeida Filho contestou a atuação do vereador Sargento Salazar após o parlamentar divulgar vídeo gravado em uma ocupação da Comunidade Indígena dos Povos Originários, no bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus, no qual classificou os moradores como invasores, sugeriu associação com criminalidade e cobrou providências das forças de segurança.

Segundo o defensor, houve equívocos na leitura do conflito urbano, com simplificação do problema, exposição pública da comunidade e ausência de diálogo institucional. Ele afirmou que a abordagem adotada transmite a ideia de criminalização das famílias indígenas.

“Essa semana veio um vídeo do vereador Sargento Salazar, numa ocupação irregular, com um terçado na mão, afirmando que as pessoas que estariam lá seriam invasoras e dando a entender que seriam, portanto, criminosas. Eu acho o trabalho do vereador extremamente relevante”, disse.

Na sequência, o defensor explicou que, embora reconheça a atuação política do parlamentar, considera que houve erro na forma de interpretar a realidade das ocupações em Manaus.

“Eu acho até que ele comunica muito bem nas redes sociais o sentimento que parte da população tem a respeito desses fenômenos que nós estamos acompanhando na cidade. Mas, nesse caso, há um grande equívoco. Sim, ele está equivocado, porque a leitura sobre as situações de ocupações irregulares em Manaus é muito menos maniqueísta”, apontou.

Ele ressaltou que o crescimento da capital amazonense está historicamente ligado a processos de ocupação semelhantes, inclusive em áreas hoje consolidadas, e que a ausência de políticas públicas estruturadas contribui para a repetição desses conflitos. Segundo ele, o tema não pode ser tratado como uma disputa entre bons e maus, mas como um problema urbano que exige análise técnica e institucional.

“Não há uma situação de malvados ou bonzinhos nesse problema. Essa falta de compreensão precisa de interlocução. Então eu vou aproveitar esse espaço mesmo para poder fazer o convite para o vereador para estar conosco no nosso gabinete, para fazer uma compreensão um pouquinho mais adequada sobre essa realidade e também trocar experiências”, finalizou.

Veja o vídeo:

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