Em meio a uma atuação legislativa marcada por baixa produtividade, o vereador Mateus Batista (União Brasil), de Joinville (SC), voltou a provocar polêmica nacional ao chamar o estado do Pará de “lixo” durante um debate sobre migração. O comentário, considerado xenofóbico, repercutiu nas redes sociais e em diferentes setores da sociedade, levantando críticas sobre a postura do parlamentar.
Nos últimos meses, Mateus Batista tem intensificado discursos com tom de intolerância contra migrantes que chegam à cidade, especialmente venezuelanos e nordestinos. O episódio mais recente reforça um padrão de declarações que têm rendido mais polêmicas do que avanços concretos para os moradores de Joinville.
A carreira política de Mateus Batista começou cedo, ligada ao Movimento Brasil Livre (MBL), onde coordenou atividades estaduais e participou da Academia MBL. Ele tentou a primeira eleição em 2020 sem sucesso e, em 2024, foi eleito com 5.698 votos, tornando-se o mais jovem vereador da história de Joinville. Desde então, sua atuação tem sido marcada por projetos de forte teor ideológico, embates com adversários e declarações polêmicas nas redes sociais.
Entre as controvérsias, o vereador foi condenado em julho de 2025 a quatro meses de detenção pelo crime de difamação contra o ex-vereador Cláudio Aragão (MDB), por chamá-lo de “arregão” e “corrupto” em vídeos divulgados durante a campanha de 2023. A Justiça considerou que as ofensas tinham intenção clara de desqualificar politicamente o ex-parlamentar. Além disso, o parlamentar propôs medidas polêmicas de controle migratório, defendendo restrições a pessoas vindas do Norte e Nordeste e afirmando que “Santa Catarina poderia virar um grande favelão” caso a migração não fosse limitada, discurso criticado como xenofóbico.
Levantamentos sobre sua atuação na Câmara Municipal mostram baixo índice de proposições relevantes e pouca presença em pautas estratégicas para o município. Especialistas e opositores afirmam que, em vez de trabalhar em soluções efetivas para problemas como transporte, segurança e infraestrutura, o vereador concentra esforços em propostas de cunho restritivo, que não têm amparo jurídico e acabam não saindo do papel.
A fala contra o Pará também acendeu reações na bancada paraense e em entidades da sociedade civil, que classificaram a atitude como desrespeitosa e discriminatória. Internautas cobraram retratação imediata e apontaram que um agente público deve zelar por discursos que promovam integração e não o ódio.
Para o sociólogo Carlos Henrique Almeida, pesquisador da Universidade Federal do Pará (UFPA), a postura do vereador demonstra uma inversão de prioridades. “Quando um parlamentar usa sua visibilidade para atacar uma população em vez de propor políticas públicas, ele contribui para aprofundar divisões sociais e não para resolvê-las. A cidade precisa de projetos efetivos para áreas como saúde, educação e mobilidade, e não de discursos que inflamem preconceitos”, afirma.