A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, receberá proteção após denunciar uma série de ameaças de morte e estupro nas redes sociais. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) solicitou providências para garantir a segurança da parlamentar por meio do Programa Estadual de Proteção de Minas Gerais.
A medida foi anunciada após a jovem relatar uma escalada de ataques virtuais, incluindo mensagens racistas, machistas e ameaças de violência sexual. A situação levou sua equipe a desativar a conta da deputada eleita na rede social X, antigo Twitter.
Segundo o ministério, o Programa Estadual de Proteção de Minas Gerais trabalhará em conjunto com o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas para acompanhar o caso e avaliar as medidas necessárias.
Por questões de segurança, o governo federal não divulgou detalhes sobre os procedimentos que serão adotados para proteger a parlamentar.
Ameaças a cada dois minutos
Ana Elisa relatou que os ataques se intensificaram durante o período eleitoral. Em uma manifestação nas redes sociais, afirmou que sua equipe identificou ameaças de morte e estupro em intervalos de aproximadamente dois minutos.
A parlamentar também denunciou a exposição de informações pessoais, incluindo endereço residencial, telefone e documentos.
Entre as mensagens recebidas, uma delas teria sido enviada por uma pessoa que se identificou como integrante da Ku Klux Klan, organização supremacista branca dos Estados Unidos. O conteúdo apresentava ameaças de violência sexual e manifestações racistas contra a presença de mulheres negras em espaços de poder.
O caso foi denunciado à Polícia Civil de Minas Gerais.
Ana Elisa afirmou estar vulnerável diante da gravidade das ameaças e cobrou providências para garantir sua integridade física.
Deputada mais jovem eleita no Brasil
Natural de Divinópolis, em Minas Gerais, Ana Elisa foi eleita deputada federal no último domingo (4), com 524.219 votos, tornando-se a segunda candidata mais votada do estado para a Câmara dos Deputados, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL).
Aos 21 anos, ela se tornou a deputada federal mais jovem já eleita no Brasil e também a mulher mais votada da história de Minas Gerais para o cargo.
Estudante de Direito, Ana Elisa ganhou projeção nacional por meio das redes sociais, onde publica conteúdos relacionados à política, educação, direitos sociais, racismo e feminismo.
Violência política contra mulheres
As ameaças contra Ana Elisa ocorrem em meio ao aumento dos registros de violência política de gênero no Brasil.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que os processos relacionados à violência política contra mulheres cresceram 11 vezes entre 2022 e 2026.
Organizações de direitos humanos também identificaram 134 episódios de violência política durante a campanha eleitoral até o primeiro turno, dos quais 70 tiveram mulheres como vítimas.
O caso da deputada eleita segue sob acompanhamento dos órgãos de proteção, enquanto as ameaças denunciadas são objeto de apuração policial.

