Uma investigação divulgada nas redes sociais pelo jornalista investigativo Adriano Wilkson levantou questionamentos sobre a regularização de uma área de aproximadamente 27 mil metros quadrados em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, que teria sido transferida ao empresário Alexandre César Santos Gomes enquanto ele ocupava o cargo de secretário municipal de Habitação na gestão do então prefeito Daniel Santos (Podemos).
Segundo Wilkson, documentos apresentados durante a reportagem mostram que a área, localizada às margens do Rio Maguari, atualmente recebe a construção do condomínio Aquamarine. O empreendimento fica próximo à Avenida Independência e à nova orla de Ananindeua, em uma região valorizada pelo mercado imobiliário.
A investigação afirma que Alexandre se apossou do terreno e, em 2022, requereu a legitimação fundiária por meio de instrumento previsto na legislação de Regularização Fundiária Urbana (Reurb).
De acordo com a matrícula apresentada pelo jornalista, o procedimento resultou no reconhecimento da propriedade do imóvel em favor de Alexandre. Wilkson afirma que o ato que concedeu a propriedade foi assinado por Daniel Santos, então prefeito de Ananindeua e atual candidato ao Governo do Pará.
O ponto que chamou a atenção da investigação é a relação funcional existente entre os dois à época.
Alexandre César Santos Gomes ocupava o comando da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), pasta diretamente relacionada à política habitacional e aos processos de regularização fundiária do município. Documentos oficiais da própria Prefeitura de Ananindeua confirmam que Alexandre exerceu o cargo de secretário municipal de Habitação na administração de Daniel Santos.
Área virou empreendimento imobiliário
Segundo a investigação de Adriano Wilkson, a matrícula apresentada indica Alexandre como primeiro proprietário registrado da área.
No local está sendo implantado o condomínio Aquamarine. Conforme anúncio de venda citado pelo jornalista, lotes do empreendimento estariam sendo comercializados por cerca de R$ 135 mil.
Wilkson sustenta que a sequência dos acontecimentos merece atenção: Alexandre comandava justamente a secretaria responsável pela política habitacional do município quando recebeu a propriedade da área por meio do procedimento de regularização.
O jornalista atribui ao caso possível conflito entre o exercício da função pública e os interesses empresariais do então secretário. Essa é uma conclusão apresentada pela investigação de Wilkson, e não uma decisão judicial sobre a legalidade do procedimento.
Em decreto assinado por Daniel Santos em junho de 2023, Alexandre Gomes aparece formalmente como secretário municipal de Habitação. Outro documento da prefeitura registra Alexandre como representante da Sehab em contrato administrativo.
Empresário e aliado político
Além de ter ocupado a Secretaria de Habitação, Alexandre César Santos Gomes é apontado por Wilkson como proprietário da construtora e incorporadora AC Gomes, empresa relacionada ao empreendimento citado na investigação.
Atualmente, conforme relatado pelo jornalista, Alexandre também disputa uma vaga de deputado estadual e integra o mesmo grupo político de Daniel Santos.
A investigação ainda relaciona o empresário a outro episódio envolvendo o ex-prefeito. Wilkson cita reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, sobre a aquisição de uma mansão no Ceará ligada à família de Daniel Santos e afirma que a AC Gomes teria participado, com quase R$ 1 milhão, dos pagamentos relacionados à compra do imóvel.
Jornalista questiona uso da regularização
Ao apresentar a investigação, Adriano Wilkson classificou como problemática a circunstância de o responsável pela política de regularização fundiária do município ter sido beneficiário de um procedimento dessa natureza.
O jornalista também destacou que a matrícula do imóvel é documento público disponível em cartório e que o histórico de Alexandre à frente da Secretaria Municipal de Habitação pode ser verificado em registros oficiais.
A documentação disponível no portal da Prefeitura de Ananindeua confirma que Alexandre permaneceu no comando da Sehab também nos anos seguintes. Em 2025, por exemplo, documentos administrativos ainda o identificavam como titular da pasta.
A investigação divulgada por Wilkson levanta questionamentos sobre as circunstâncias da regularização, mas, por si só, não representa decisão judicial ou comprovação de prática criminosa relacionada à transferência do terreno.
O espaço permanece aberto para manifestação de Daniel Santos, Alexandre César Santos Gomes e da Prefeitura de Ananindeua sobre os fatos apresentados na investigação.
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