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Declarações polêmicas: MPPA apura fala de pastor com indícios de racismo e sexismo

Procedimento foi aberto após denúncias sobre discursos feitos durante um congresso evangélico em Belém.

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Ministério Público do Pará (MPPA) instaurou um procedimento para investigar declarações atribuídas ao pastor Océlio Nauar, presidente da Convenção Interestadual de Ministros e Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus no Pará (Comieadepa) e líder da Assembleia de Deus em Tucuruí. As falas, proferidas durante um congresso feminino em Itaituba, no dia 9 de agosto, apresentam indícios de conteúdo discriminatório, com conotação racista e sexista, segundo os promotores Diego Lima Azevedo e Mayanna Santiago, responsáveis pelo caso.

A atuação do MPPA é fundamentada no artigo 127 da Constituição Federal, que garante a defesa da ordem jurídica, da democracia e dos direitos humanos. O despacho cita ainda convenções internacionais ratificadas pelo Brasil, como a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Durante o evento, transmitido ao vivo e amplamente divulgado em vídeo, Océlio Nauar afirmou:

“Se você vai casar, escolha com quem você vai casar. Se você for escolher uma branquinha, tem mais despesa. Escolhe uma morena, gasta menos. As branquinhas começam a ter um negocinho aqui, comprar mais um creme, mais não sei o que. Vai ficando caro”.

As declarações geraram forte repercussão nas redes sociais e na imprensa, com internautas e fiéis classificando a postura do pastor como “lamentável” e cobrando retratação. O episódio alcançou repercussão estadual e nacional.

Em nota, a equipe de Océlio Nauar alegou que a frase foi “tirada de contexto” e se referia a um tratamento de pele da esposa, que é branca. A defesa afirmou ainda que “um grupo movido por intenções políticas” estaria explorando o vídeo para prejudicar a imagem do religioso.

Após o caso, o pastor desativou os comentários em suas redes sociais. Uma representação protocolada contra ele acusa o líder de utilizar a “vitimização do ofensor e revitimização da comunidade atingida” como estratégia de defesa.

Além da investigação do MPPA, o pastor Erivaldo Monteiro Marques, de Belém, protocolou em 14 de agosto uma representação ético-disciplinar com pedido de afastamento cautelar de Océlio Nauar da função de presidente da Comieadepa

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