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Racismo ambiental? Governo é acusado de esconder obra que joga esgoto da Doca na Vila da Barca

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A educadora popular e ativista Suane Barreirinhas usou suas redes sociais para denunciar o que considera mais um capítulo de racismo ambiental na capital paraense. Moradora da comunidade da Vila da Barca, ela flagrou e publicou em vídeo o momento em que operários, ligados a uma obra do Governo do Pará, retiravam uma faixa de identificação da construção de uma estação de tratamento de esgoto. A estrutura, localizada às margens da comunidade, tem o objetivo de bombear o esgoto da Avenida Visconde de Souza Franco — conhecida como Doca —, área nobre de Belém.

Segundo a denúncia, após críticas públicas à obra, a faixa original foi coberta por outra com nova descrição. Mais tarde, ambas as faixas foram removidas. “Tentaram esconder a obra, mas esqueceram de limpar o lixo. Deixaram tudo na porta da comunidade, como se a gente fosse depósito de resto”, declarou Suane no vídeo.

A obra faz parte do projeto “Nova Doca”, com um orçamento de R$ 310 milhões. Embora tenha como foco a modernização do sistema de saneamento da área central da cidade, moradores da Vila da Barca alegam que não foram informados ou consultados sobre a construção e que não serão beneficiados pelo sistema, mesmo sendo diretamente impactados por ele.

“O esgoto dos ricos vai passar aqui, mas nossa comunidade continua sem rede de esgoto, sem água tratada. Isso é o retrato da desigualdade”, diz Suane, que também é cofundadora do Museu da Vila da Barca. Ela afirma que o governo do estado tem usado recursos públicos para encobrir erros ao invés de ouvir as demandas das comunidades tradicionais.

Além da retirada das faixas, a ativista também denuncia o abandono de entulho e lixo gerado pela obra na entrada da Vila da Barca, o que tem agravado as condições sanitárias do local. O vídeo publicado por ela tem sido compartilhado amplamente por outras lideranças e páginas voltadas à defesa de direitos humanos e ambientais.

A comunidade cobra que as autoridades públicas se posicionem e apresentem estudos de impacto ambiental e de saúde pública que justifiquem a execução da obra naquele ponto específico da cidade. Até o fechamento desta reportagem, nem a Cosanpa (Companhia de Saneamento do Pará), nem o Governo do Estado haviam se manifestado oficialmente sobre o caso.

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