A liderança indígena e pré-candidata a deputada federal Vanda Witoto (MDB) denunciou ter sido alvo de violência política de gênero após a circulação de uma charge nas redes sociais e informou que está encaminhando denúncia aos órgãos competentes para apuração do caso.
A ilustração mostra uma mulher com estereótipo indígena, em referência à liderança, ajoelhada sobre grãos de milho diante de um homem que representaria o senador Eduardo Braga, acompanhada da frase “Ajoelhou, tem que rezar!”.
Em pronunciamento divulgado em vídeo, Witoto afirmou que os ataques tiveram caráter misógino e racista, atingindo não apenas sua atuação política, mas também mulheres que participam da vida pública no Amazonas.
“No dia de hoje, a violência política e de gênero chega ao meu corpo-território, nas mulheres e em toda a sociedade do Amazonas, de forma covarde, misógina e racista. Continuar abrindo caminhos para nós mulheres nos espaços de tomada de decisão política ameaça essa estrutura que quer nos ver submissa, que não reconhece a nossa potência e não aceita a nossa diversidade”, declarou.
Durante o pronunciamento, Witoto afirmou que esse tipo de ataque não pode ser tratado como piada ou manifestação artística. “Violência política não é piada, não é arte, é crime. Estamos construindo essa trajetória há muito tempo e de forma coletiva, e não vão nos paralisar. Estamos, nesse momento, encaminhando denúncia aos órgãos competentes”, afirmou.
Ela também pediu apoio da sociedade no enfrentamento a episódios de violência contra mulheres que participam da política. “Pedimos apoio a toda a sociedade para fazermos esse enfrentamento a qualquer tipo de violência, a qualquer mulher. Seguiremos lutando e sendo voz para todas as mulheres que têm a coragem de fazer essa caminhada política”, disse.
Veja o vídeo:
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MDB divulga nota de repúdio
Após a repercussão, o MDB do Amazonas divulgou uma nota de repúdio à charge. No comunicado, o partido afirmou que a liberdade de expressão é um valor fundamental da democracia, mas não pode ser utilizada para promover ataques de caráter machista ou sexista. A sigla classificou a ilustração como ofensiva e desrespeitosa e manifestou solidariedade à liderança indígena.
A direção estadual também destacou que Vanda Witoto é uma liderança reconhecida, com atuação em defesa das comunidades e da população do Amazonas, e afirmou que o partido se orgulha de tê-la entre seus quadros.

Cartunista se retrata
O cartunista responsável pela charge publicou uma retratação nas redes sociais. Na nota, afirmou que desenha charges políticas desde a década de 1990 com estilo crítico e irreverente, mas disse que não teve a intenção de ofender ou desrespeitar a liderança indígena. Ele também pediu desculpas a quem se sentiu atingido pelo conteúdo e reconheceu que a liberdade de expressão possui limites.
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