janeiro 19, 2026
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Haddad diz que dívida do país cresce por causa dos juros altos, não por excesso de gastos do governo

Ministro afirma que déficit caiu, que juros explicam avanço da dívida e que Banco Central deveria regular fundos

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o avanço da dívida pública brasileira está ligado ao nível elevado dos juros reais e não a um excesso de despesas do governo. “Em dois anos, nós reduzimos em 70% o déficit primário. O problema da dívida tem a ver com o juro real, não tem a ver com o déficit, que está caindo”, disse em entrevista ao programa UOL News nesta segunda-feira, 19.

Haddad afirmou que o governo tem ampliado o rigor das metas fiscais. “Inclusive, a meta para esse ano é uma meta ainda mais exigente de resultado primário do que foi o ano passado, do que foi o ano retrasado e do que foi o primeiro ano de governo. Nós estamos subindo o sarrafo das exigências”, disse.

Ele afirmou que o déficit de 2024 terminou em 0,48% do PIB mesmo com exceções fiscais. Segundo o ministro, isso mostra que o fator crítico da dívida está na taxa de juros. “Se você pegar o déficit projetado para 2023 do [governo Jair] Bolsonaro, dividindo pelo PIB do ano, você tem um déficit superior a 1,6% do PIB. E quanto foi o déficit do ano passado, considerando todas as exceções? Foi de 0,48%, isso considerando todas as exceções como o Plano Brasil Soberano, por causa do tarifaço, e a questão do INSS, que nós devolvemos dinheiro para os lesados pela quadrilha que se apropriou do INSS”, pontuou.

Juros e Banco Central

O ministro disse que há espaço para corte da taxa Selic, atualmente em 15%. “Óbvio que, quando me perguntam [sobre esse tema], eu falo que tem espaço para cortar [os juros] porque eu acho que tem”, declarou.

Mesmo defendendo redução da taxa básica, Haddad fez elogios ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, citando o caso do Banco Master. “Eu dizia que ele herdou um problema que só vai ser conhecido depois. Ele herdou um problema que é o Banco Master, todo ele constituído na gestão anterior. O Banco Master não aconteceu na gestão atual, o Galípolo descascou um abacaxi. E descascou o abacaxi com responsabilidade”, afirmou.

Haddad declarou que o Banco Central deveria assumir a fiscalização de fundos de investimento, hoje responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários. Ele afirmou ter apresentado uma proposta no Executivo para ampliar o escopo regulatório do BC. “Tem muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e que está no âmbito da CVM, na minha opinião, equivocadamente. O Banco Central tem que ampliar o seu perímetro regulatório e passar a fiscalizar os fundos”, enfatizou.

Para ele, fundos e sistema financeiro possuem interseção que afeta variáveis públicas. “A conta remunerada, as compromissadas, tudo isso tem relação com a contabilidade pública”, disse.

Tributos e “Taxad”

Questionado sobre o apelido “Taxad” nas redes sociais, o ministro afirmou que não se incomoda e citou medidas que, segundo ele, aumentaram a tributação sobre contribuintes de maior renda. “Fico muito feliz de ser lembrado como o único ministro da Fazenda dos últimos 30 anos que taxou offshore, que taxou fundo familiar fechado, que taxou paraíso fiscal e que taxou dividendo. A taxação BBB saiu do papel: banco, bet e bilionário foram taxados. Então, eu assumo que essa turma que não pagava imposto, sim, voltou a pagar”.

Eleições

Haddad avaliou que a economia não deve ser decisiva nas eleições presidenciais no Brasil e no exterior. “A economia no mundo inteiro está sendo um elemento muito importante, mas não necessariamente decisivo para ganhar ou perder uma eleição”.

Ele afirmou que pesquisas apontam segurança pública e corrupção entre preocupações mais citadas. Haddad também disse que não pretende disputar cargos nas próximas eleições e que o assunto vem sendo tratado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem definição.

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