O governo alemão e setores empresariais europeus reagiram positivamente nesta sexta-feira 9 ao avanço do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, cuja negociação se arrasta há 25 anos. A etapa atual encerra provisoriamente as tratativas entre os dois blocos, mas ainda não há anúncio formal da assinatura por parte do Conselho da União Europeia.
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, classificou o desfecho das negociações como um marco para a política comercial europeia. Para Merz, o tratado envia um sinal de soberania estratégica e fortalece a capacidade de ação da UE. O chanceler afirmou que o acordo é positivo para a Alemanha e para a Europa, embora tenha criticado a longa duração das negociações.
O avanço também gerou manifestações de outros governos europeus. A ministra das Relações Exteriores da Áustria, Beate Meinl-Reisinger, comemorou o resultado mesmo com o voto contrário de seu país. Para ela, o tratado deve beneficiar a economia austríaca e reforçar a necessidade de ampliar relações comerciais com parceiros externos, citando a Índia como prioridade nas negociações bilaterais.
A resistência ao acordo persiste entre alguns Estados-membros. Segundo o ministro da Agricultura da Polônia, Stefan Krajewski, além de seu país e da Áustria, França, Hungria e Irlanda também se posicionaram contra. Krajewski afirmou que, caso a Itália tivesse aderido ao bloco de oposição, o tratado poderia ter sido bloqueado. O ministro expressou preocupação com o impacto sobre o setor agrícola e destacou que o Parlamento polonês analisa mecanismos de proteção e compensações internas.
Setores industriais europeus, especialmente o automotivo, avaliam o avanço como oportunidade para ampliar competitividade. Em comunicado, a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea) afirmou que a decisão indica que a UE pretende manter uma economia aberta e voltada ao comércio exterior. A entidade aponta que o tratado reduzirá tarifas sobre veículos importados pelos países do Mercosul, hoje em até 35%, e eliminará barreiras técnicas, fortalecendo cadeias de abastecimento.
Segundo informações da agência Reuters, embaixadores dos 27 Estados-membros indicaram oficialmente as posições de seus governos nesta sexta-feira. Cada país terá até as 17h do horário europeu 13h em Brasília para confirmar o voto por escrito. O acordo necessita do apoio de ao menos 15 países que representem 65% da população do bloco, condição que, segundo a agência, já teria sido cumprida.
Se confirmados os votos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar ao Paraguai na próxima semana para ratificar o texto com os países do Mercosul Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O Parlamento Europeu ainda deverá avaliar o tratado antes de sua entrada em vigor.
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