janeiro 21, 2026
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Incêndio no Aterro do Aurá espalha fumaça por Belém; foco reativa histórico “lixão”

Chamas atingem aterro sanitário no Aurá durante a noite, provocam mau cheiro por toda a capital e reforçam os riscos remanescentes de um antigo lixão a céu aberto.

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Um incêndio de grandes proporções atingiu na noite desta terça-feira o Aterro Sanitário do Aurá, localizado na região metropolitana de Belém, gerando uma extensa nuvem de fumaça que se estendeu por toda a capital paraense. Embora as chamas tenham sido intensas, não há registros de feridos.

Moradores relataram que, durante o episódio, foi possível sentir um forte odor, indicando queimadas de resíduos que se propagaram rapidamente. As equipes de combate – incluindo o Corpo de Bombeiros, a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan), a Secretaria de Meio Ambiente (Semma) e a Divisão Especializada do Meio Ambiente (Demapa) – trabalharam para controlar o avanço das chamas e monitorar o ambiente.

Apesar de controlados em alguns pontos, novos focos de fumaça ainda surgiram, mantendo o mau cheiro em várias regiões de Belém. A operação de resfriamento utilizou caminhões-pipa, hidrojatos e escavadeiras para revolver o lixo e permitir a aplicação eficiente de água nos locais mais quentes.

Autoridades reforçam que o aterro continuará sendo monitorado para evitar novos incêndios, mas ainda não há previsão para o término completo da operação de contenção.

 

‘Lixão histórico’

O Aterro do Aurá começou a operar em 1987 como um aterro sanitário, com planos de contagem de gases, tratamento de chorume e triagem de resíduos. Contudo, essas etapas não chegaram a ser implementadas na prática, transformando o local em um lixão a céu aberto.

Durante mais de 20 anos, o lixão recebeu domicílios, inertes e resíduos diversos sem impermeabilização, sistema de drenagem apropriado ou tratamento ambiental. Isso causou contaminação do ar por gases tóxicos, infiltração de chorume no solo e nas águas subterrâneas, problemas respiratórios nos moradores vizinhos e riscos à saúde pública.

Mesmo após sua desativação formal — prevista por lei federal que determinava o fechamento de lixões a céu aberto até 2014 — persistem focos de fumaça e incêndios, reflexo desse acúmulo desordenado e da falta de recuperação ambiental completa.

O que diz a Ciclus

A Ciclus Amazônia, responsável pela gestão de resíduos sólidos em Belém, informa que o incêndio registrado recentemente ocorreu no chamado “Pátio 1” do Aterro do Aurá, área não operada pela Ciclus e historicamente marcada por ocupações irregulares, segundo as autoridades de segurança, associado à atuação de organizações criminosas.

Assim que tomou conhecimento do incidente, a Ciclus Amazônia acionou o Corpo de Bombeiros, a Prefeitura de Belém e as forças de segurança, prestando total apoio às ações de contenção das chamas. Ninguém ficou ferido. Desde então, a empresa segue colaborando com as autoridades na apuração dos fatos e permanece à disposição para fornecer todos os esclarecimentos necessários.

Além disso, a companhia cumpre rigorosamente as normas ambientais e está com pedido de licenciamento ambiental para encerramento e remediação da área junto aos órgãos competentes, bem como segue, também, com o licenciamento do novo Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) da Região Metropolitana de Belém. A estrutura contará com sistemas modernos de tratamento de chorume, impermeabilização com materiais geossintéticos e captação de biogás, com possibilidade de aproveitamento energético, seja para a produção de eletricidade ou biometano. Ambos os projetos seguem as melhores práticas de engenharia, normas técnicas e legislações ambientais aplicáveis.

Por fim, a Ciclus Amazônia reitera seu compromisso com a legalidade, a responsabilidade socioambiental e a transparência, e repudia qualquer tentativa de associação indevida com o incêndio, no qual apenas se envolveu para controlar e extinguir em respeito e proteção ao restante da área e das vizinhanças.

 

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