A Universidade Federal do Pará aprovou, em uma mesma sessão do Conselho Universitário, a concessão de dois títulos de Doutor Honoris Causa, a mais alta honraria acadêmica da instituição. Serão homenageados a ativista Raimunda Nilma de Melo Bentes e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino.
A proposta em favor de Nilma Bentes foi apresentada pela Clínica de Atenção à Violência e pelo Projeto Redes Antirracistas, vinculados ao Instituto de Ciências Jurídicas, em parceria com a Universidade de Brasília e o Ministério da Educação. O parecer aprovado destaca a trajetória da ativista em mais de quatro décadas de atuação na defesa dos direitos humanos, no enfrentamento ao racismo estrutural e na promoção das populações negras e quilombolas na Amazônia.
Fundadora do Centro de Defesa e Estudos do Negro do Pará, Nilma teve participação em debates durante a redemocratização e na construção de políticas públicas voltadas à equidade racial e à justiça social. O documento também menciona a produção intelectual associada aos movimentos sociais, com publicações sobre racismo, negritude, ecologia e Amazônia, além da atuação em agendas que articulam justiça racial, de gênero, social e ambiental. A homenageada esteve entre as idealizadoras da Marcha das Mulheres Negras, realizada em Brasília em 2015, que reuniu mais de 50 mil participantes.
O título concedido a Flávio Dino teve origem em proposta do Programa de Pós-Graduação em Direito e Desenvolvimento na Amazônia, também do Instituto de Ciências Jurídicas. O parecer ressalta a atuação do ministro nos três Poderes da República, com ênfase na defesa do Estado Democrático de Direito, no fortalecimento das instituições públicas e em temas ambientais e fundiários relacionados à Amazônia.
Formado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão, Dino foi juiz federal por 12 anos e presidiu a Associação dos Juízes Federais do Brasil. Também ocupou os cargos de secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça, deputado federal, governador do Maranhão por dois mandatos, senador e ministro da Justiça e Segurança Pública antes de tomar posse no STF, em fevereiro de 2024.
“A universidade se fortalece quando dialoga com diferentes experiências de produção de conhecimento e de atuação pública. São trajetórias distintas, mas que se encontram no compromisso com a democracia, com os direitos humanos e com a realidade amazônica”, afirmou o reitor Gilmar Pereira da Silva após a deliberação.
As datas das cerimônias de outorga dos títulos serão informadas posteriormente pela administração superior da universidade.
Veja também:
Acesse o nosso perfil no Instagram


