fevereiro 16, 2026
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Cúpula dos Povos é aberta em Belém com críticas à COP30 e defesa da Palestina

O evento, que ocorre até o dia 16 de novembro, reúne cerca de 1,3 mil movimentos sociais, redes e organizações populares de diversos países no campus da UFPA

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A Cúpula dos Povos foi aberta oficialmente nesta quarta-feira (12), em Belém (PA), com discursos que criticaram a falta de participação popular na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) e manifestações de apoio à Palestina.

As falas iniciais destacaram a insatisfação de movimentos sociais e organizações com o que classificam como a “ineficiência” das medidas adotadas por governos e instituições internacionais para conter o aquecimento global e garantir o cumprimento da meta de 1,5°C estabelecida pelo Acordo de Paris.

O evento, que ocorre até o dia 16 de novembro, reúne cerca de 1,3 mil movimentos sociais, redes e organizações populares de diversos países no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), às margens do Rio Guamá. A expectativa é que mais de 30 mil pessoas participem das atividades ao longo dos cinco dias de programação.

Mobilização internacional

Durante a cerimônia de abertura, Ayala Ferreira, integrante da comissão organizadora e representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirmou que a iniciativa foi pensada há mais de dois anos como uma resposta à realização da COP30 no Brasil. Segundo ela, a proposta da cúpula é construir “um dos maiores levantes da classe trabalhadora” em defesa de alternativas populares às políticas climáticas oficiais.

“A Cúpula dos Povos de 2025 é um espaço do campo popular para enfrentar e, em alguns momentos, constranger a COP30. Ela é feita por muitas mãos e vozes de homens e mulheres do mundo inteiro”, afirmou.

Antes da abertura, centenas de participantes realizaram uma caminhada com bandeiras em defesa das águas, contra a mineração e o uso de combustíveis fósseis. O ato reuniu movimentos ribeirinhos, quilombolas, sem-terra, quebradeiras de coco, atingidos por barragens, mulheres e pessoas com deficiência, além de diversas bandeiras palestinas, acompanhadas por gritos de “Palestina livre”.

Denúncias e solidariedade internacional

O ativista palestino Jamal Juma afirmou, em seu discurso, que os povos da Palestina e da Amazônia enfrentam “crimes contra a humanidade” e destacou a continuidade dos ataques em território palestino. “Mesmo após o acordo [firmado entre Israel e Hamas há dois meses], os crimes de Israel continuam a acontecer”, declarou.

Agenda e temas de debate

A programação da Cúpula inclui mesas e painéis sobre soberania alimentar, racismo ambiental, transição energética justa, governança participativa, democracia, feminismo popular e resistências das mulheres, entre outros temas. Também estão previstos debates sobre reparação histórica, enfrentamento ao extrativismo fóssil e internacionalismo dos povos.

De acordo com o manifesto da Cúpula dos Povos, o objetivo é “fortalecer a construção popular e convergir pautas de unidade das agendas socioambiental, antipatriarcal, anticapitalista, anticolonialista, antirracista e de direitos”, buscando a construção de um “futuro de bem-viver”.

Representação sindical e crítica ao modelo econômico

O dirigente da Confederação Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA-TUCA), Ivan González, ressaltou as dificuldades enfrentadas pelos movimentos sociais para participar dos debates globais sobre clima e desenvolvimento sustentável.

“Estamos aqui porque queremos demonstrar que as pessoas defendem o planeta, especialmente contra este capitalismo que se alimenta de corpos, trabalho e natureza”, afirmou González, em referência à solidariedade às lutas de povos da África, Ásia e América Latina.

A Cúpula dos Povos ocorre paralelamente à COP30, funcionando como um espaço alternativo de diálogo e formulação política, voltado à articulação de propostas populares sobre justiça climática e ambiental.

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