janeiro 16, 2026
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Juventude paraense enfrenta exclusão: quase 50% está fora do mercado de trabalho

Informalidade e falta de oportunidades agravam cenário de exclusão no Pará; programas de capacitação tentam oferecer alternativas

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Quase metade dos jovens entre 15 e 29 anos no Pará está fora do mercado de trabalho. O dado alarmante foi divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE/PA), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, referente ao quarto trimestre de 2024. Segundo o levantamento, apenas 51,1% da juventude paraense está ocupada, o que revela um cenário de alta exclusão e informalidade entre esse grupo etário.

Entre os jovens que trabalham, a informalidade predomina. Aproximadamente 31,4% atuam no setor privado sem carteira assinada, e 19,2% exercem atividades por conta própria. Apenas 29,1% estão em empregos com registro formal. Outros 7,1% atuam no setor público, enquanto o restante está distribuído entre empregadores e trabalho doméstico informal.

A pesquisa também traça o perfil dos jovens no estado: a maioria vive em áreas urbanas (76%), e a faixa etária predominante está entre 20 e 29 anos. A divisão por gênero é praticamente equilibrada, com 50,3% de homens e 49,7% de mulheres. Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas direcionadas para a inclusão produtiva da juventude, especialmente diante das desigualdades regionais e da precariedade no primeiro emprego.

Diante do cenário, iniciativas como a plataforma gratuita “Jornada da Entrevista”, do Instituto PROA, têm surgido como alternativas de apoio à juventude. O game interativo simula entrevistas de emprego e oferece feedbacks imediatos, utilizando a metodologia STAR (Situação, Tarefa, Ação e Resultado). O projeto já registra altos índices de empregabilidade em outros estados e agora está disponível para jovens paraenses com idades entre 17 e 22 anos.

Para o DIEESE, o desafio é estrutural. “Os jovens enfrentam uma dupla barreira: a falta de oportunidades e a precarização das vagas disponíveis. A informalidade não é uma escolha, mas uma consequência de um modelo econômico que ainda não absorve essa parcela da população com dignidade”, analisa Roberto Sena, supervisor técnico do órgão no Pará.

O estudo reforça a urgência de ações conjuntas entre governo, iniciativa privada e sociedade civil para criar oportunidades de trabalho decente, ampliar o acesso à qualificação profissional e promover a permanência dos jovens na escola, sem abrir mão da inclusão produtiva.

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