O patrimônio declarado pelo ex-prefeito de Ananindeua e candidato ao Governo do Pará, Daniel Santos (Podemos), à Justiça Eleitoral em 2026, apresentou uma diferença significativa em relação aos valores relacionados a investigações divulgadas anteriormente pelo Ministério Público do Pará na Operação Hades.
De acordo com os dados registrados no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato informou possuir um patrimônio total de R$ 4.753.760,80.
Entre os bens declarados estão três propriedades rurais, avaliadas em R$ 350 mil, R$ 1 milhão e R$ 1,8 milhão, dois veículos, uma casa, dois terrenos, participação em uma empresa agropecuária e R$ 112 mil em dinheiro em espécie.
A maior parte do patrimônio declarado está concentrada nos imóveis rurais, que, juntos, somam R$ 3,15 milhões.
Bens declarados ao TSE
Segundo o registro da candidatura, os bens informados são:
- Propriedade rural: R$ 1,8 milhão;
- Propriedade rural: R$ 1 milhão;
- Propriedade rural: R$ 350 mil;
- Casa: R$ 692.049,84;
- Automóvel: R$ 240 mil;
- Automóvel: R$ 151 mil;
- Terreno: R$ 170 mil;
- Terreno: R$ 138.710,96;
- Participação em empresa agropecuária: R$ 100 mil;
- Dinheiro em espécie: R$ 112 mil.
Investigação mencionou patrimônio superior a R$ 140 milhões
Em abril deste ano, o Portal O Fato publicou uma reportagem informando que bens avaliados em mais de R$ 140 milhões estavam no centro de uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA).
Na ocasião, a apuração citava imóveis, empresas e outros ativos supostamente relacionados ao ex-prefeito.
A diferença entre os valores mencionados na investigação e o patrimônio declarado à Justiça Eleitoral ultrapassa R$ 135 milhões.
Declaração eleitoral considera apenas bens do candidato
Especialistas em direito eleitoral destacam que a declaração apresentada ao TSE reúne os bens informados pelo próprio candidato no momento do registro da candidatura.
Por outro lado, os valores mencionados em investigações podem incluir empresas, imóveis, participações societárias, bens registrados em nome de terceiros e outros ativos analisados pelos órgãos responsáveis pelas apurações.
Por esse motivo, os dois levantamentos utilizam metodologias distintas e não podem ser comparados automaticamente sem a análise detalhada dos documentos que embasaram cada um dos procedimentos.
Patrimônio e estilo de vida
A diferença entre os valores reacendeu o debate sobre a compatibilidade entre o patrimônio declarado e informações relacionadas ao padrão de vida atribuído ao ex-prefeito em reportagens e investigações divulgadas nos últimos anos.
As apurações conduzidas pelo Ministério Público seguem em andamento e não há decisão judicial definitiva sobre os casos.
O espaço permanece aberto para o posicionamento da defesa do candidato.


